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sexta-feira, abril 25, 2008

blind faith

gosto quando posso registrar um significativo prazer através das palavras fáceis de ler. as de agora, uma exuberância de quase 40 anos, escrevo para os quatro músicos que as provocaram e enfeitam.

a informação de que a blind faith ressurgiria, depois de 40 anos, é uma ousadia jornalistica e deve-se à recente reunião, no mesmo palco, em maio de 2007, de eric clapton e seu amigo stevie winwood, ambos mentores da primeira superbanda de rock'n roll do planeta formada, ao acaso, em 1969.

blind faith é, seguramente, um dos melhores trabalhos que o rock'n roll produziu.
eric clapton, stevie winwood, ginger baker e rick grech, morto em 1991, são os criadores e é possível sentir o afago do virtuosismo de cada um a cada canção, a cada acorde ...
click ... click veja e ouça.
em sea of joy, a faixa mais arranhada do meu cd, o violino do grech que, antes de se atirar nos braços mornos e felpudos do rock estudou música erudita, provoca uma sensação de ternura em quem escuta.


o rock é capaz de produzir alguns "por acasos" com resultados surpreendentes, e blin faith é uma dessas produções.
1969 significa quase tudo: woodstock, momentos finais dos beatles, stones são apenas pequenas pedras que ainda rolam procurando um terreno bom onde se aconchegar, led zeppelin dá seus primeiros passos tentando uma vaga na bolota musical que crescia ... 69 significa, ainda, um garoto inglês tocador de guitarra que, estando onde estivesse, guitarra em punho, sacudia tudo, sacudia o próprio planeta ... is clapton god???
no yardbirds fazendo música de negros americanos pra brancos ingleses, ou depois de gravar um dos álbuns mais importantes da década ao lado de john mayall e seus bluesbrakers, ou ainda levando o rock aos seus limites junto com jack bruce e ginger baker no cream, clapton, naquele momento, estava diante da dúvida cruzada: montar uma banda, pedir licença e entrar em banda alheia, ou seguir a vida, ele e sua guitarra ... sozinhos.

ele preferiu fazer uma brincadeira, divertir-se com seu trabalho. então, em fevereiro de 1969, convidou o amigo stevie winwood para, juntos, levarem algumas jams.
músico de rock'n roll gosta de trabalhar ... não sei porquê!!!

ouvindo sobre a empreitada ginger baker quis se juntar aos dois.
clapton relutou. o baterista não se encaixava em trabalho intimista. com ele, uma simples reunião musical poderia se transformar num mega evento. além disso, clapton não gostaria de conviver com os fantasmas do seu passado no cream. foi vencido pela insistência do baterista e de winwood ...
d'us ced'us ... graças a d'us
... sorry, i did not resist!!!
a cada ensaio, o improviso produzia idéias fantásticas para as canções de cada um deles. um baixista tornou-se a principal necessidade, pois, a reunião íntima estava sendo transformada em uma grande festa. rick grech, do family, aceitou o convite.

daí pra frente estava configurado o nascimento do blind faith, a primeira superbanda da história do rock'n roll. todos tiveram certeza: ia ser criado o melhor álbum que a nação rockeira teria a felicidade de conhecer.
exageros à parte, ninguém errou.
a melhor composição de winwood, uma das mais belas vozes doadas pelo rock'n roll à população do planeta, can´t find my way home, seria um dos alicerces do álbum, juntamente com presence of the lord. a primeira desfila sob o violão de clapton e a voz de stevie winwood que alterna entre o natural e falsetes antológicos.

olha e ouve as duas canções nos vídeos a seguir.
blind faith - london hyde park 69, o show de lançamento do álbum, ocorrido em junho de 1969 é a apresentação dos caras no parque famoso, que virou dvd em 2006.
em presence of the lord, clapton e sua guitarra mantêm um diálogo de igual pra igual com d'us e winwood canta magnificamente.

atenção!!! ouça/assista presence of the lord, antes que o youtube retire o vídeo, como já fez tantas vezes ... aqui
a canção, não poderia ser diferente, transformou-se em uma das mais emblemáticas canções do clapton, tanto a letra, belíssima, quanto o solo brilhante enfeitado pelos enjôos e uah uah uahs da guitarra. clapton sabia tudo, fazia tempo, e não teria se intimidado pelo barulho provocado pela chegada de jhendrix. afinal, aquele lá precisaria de sua ajuda pra afinar a guitarra.
músicas à parte, se é que é possível, blind faith começa atraente pela capa
, uma das muitas mais polêmicas do rock'n roll. uma modêlo posa com o peito nu segurando um sugestivo e fálico avião.
lendas, no rock'n roll, são manifestações comuns. houve quem criasse uma que contaria ser a filha de baker a garota da capa. impossível, pois, por aqueles dias ela seria um bebê, longe de povoar a imaginação erótica de quem quer que fosse.
o rock tem dessas coisas.
fosse quem fosse, a capa estava ali e a polêmica foi inevitável. nos eua ela foi rejeitada. pior, o álbum só poderia ir pro prato das vitrolas do povo americano, se ela fosse trocada. resultado: por lá, a foto da loirinha, deu lugar a uma foto dos 4 marmanjos da banda.
posto isto,
click ... click aqui, torna possível conhecer a capa que circulou livremente pelas plagas civilizadas do planeta e, mais um click ... click aqui, possibilita conhecer a outra, liberada aos, intelectualmente, menos favorecidos.
o sucesso daquele trabalho que nascera sem querer, fruto de uma idéia intimista de dois músicos, estava levando os quatro para onde não queriam ... o prazer transformara-se em trabalho, obrigação, compromissos ... deu-se que, no final do mesmo ano de 69, menos de um ano depois de criada, foi decretado, pelos quatro, o fim da banda que deixou um único e absoluto item em seu testamento.

passados quase quarenta anos blind faith continua sendo o mais importante trabalho da carreira de eric clapton, stevie winwood, ginger baker e rick grech.

alguém duvida que a história do rock'n roll seja a coleção de episódios, os mais felizes, completos, incríveis ... que se possa conhecer???

em 1969, eu era uma rica menina pobre. daí, o blind faith passou pelos meus ouvidos através de meios que não incluiam poder chamá-lo de meu. faz alguns anos deparei com um cd dentro de um recipiente pronto para fazê-lo encerrar carreira ... o lixo. inexplicavelmente, pois, nunca perguntei a razão, o meu porrinha desfazia-se de um dos meus mais desejados e ambicionados sonhos de consumo ... o blind faith.
é bem possível que este possa ser considerado um bom episódio da farta coleção que recheia a história do meu rock'n roll.


3 comentários:

Mara* disse...

pois é, estou dengosa e nada prosa...a enxaqueca e calafrios já eram os sintomas, só fui ter certeza quando desmaiei no supermercado e fui levada para o pronto-socorro...passei por maus bocados, ainda estou lerda das idéias, mas logo volto com força total, aguarde...

beijos saudosos.

pensologomudodeideia disse...

Obrigada pelo comentário.
Volte sempre ao Penso logo mudo de idéia.
Samy
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wwww.pensologomudodeideia.tk
www.viveremacao.tk

Discoteclando disse...

texto tão singelo e prazeroso quanto o álbum!!!

 
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