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segunda-feira, maio 26, 2008

woodstock - the legendary drum solo

woodstock, the music festival que completará 40 anos, pra muitos uma orgia, uma anomalia, um antro a céu aberto de nudez, sexo, drogas e rock'n roll foi, de verdade, a maior e mais incrível manifestação musical de que se tem notícia no universo.

em verdade lhes digo, se não existisse rock'n roll, o mundo seria a big shit in silence.

foi em woodstock que joe coker e sua guitarra invisível declararam aos rockeiros do mundo que, sem a ajuda deles, por menor que fosse, não seria possível viver ... nem os beatles teriam feito melhor.
foi em woodstock que
joan baez, grávida, cantou joe hill e deitou a lenha no sistema americano de ser, em defesa de seu marido, david, preso por não aceitar o convite para participar de um outro festival, bem mais barulhento e patriótico, no vietnã.
foi em woodstock que um certo
richie havens mostrou sua alma, seu suor, sua carne viva, suas entranhas, sua gengiva desnuda, através da mais visceral cantoria que o rock'n roll viu, ou ouviu.
foi em woodstock ... three days!!! three days!!! ... que um negro, desafiando a beleza americana,
ousou fuzilar o hino nacional americano, the star-spangled banner, dedilhando as cordas da mais rockeira das guitarras.
foi em woodstock que um garoto de 17 anos, à frente de uma bateria acompanhou,
com virtuosa competência, um dos maiores músicos da guitarra que o mundo já conheceu e conseguiu roubar cenas, olhares, microfones, ouvidos e todos os outros sentidos daqueles que tinham a felicidade de estar ali, naquele momento, e dos que, como eu, foram conhecê-lo mais tarde, no cinema.

michael shrieve, the legendary drum solo, aqui, entrevistado em 2007, depois dele, a música do planeta, ainda mais o rock'n roll, não seria o mesmo.

indiscutível ... eu não saberia
viver sem isto.

e é este pensamento que me impulsiona a buscar cumplicidade, sempre. desta vez não poderia encontrar melhor parceria do que a do kledir ramil, aquele da dupla gaúcha ... famosa em várias partes do mundo, todas elas no brasil - palavras dele. adoro seus textos, rio com eles e sempre encontro, entre suas linhas, boas lembranças ou semelhante confissão do choro diante da visão do woodstock na tela da tv. vocês vão ler um dos melhores no qual ele menciona richie havens que, para cantar melhor a sua freedon ou para protestar contra a guerra do vietnã estava lá cantando, sem os dentes e com a alma.

como uma coisa puxa a outra, de lambuja, the guitar hero,
joe satriani e marvin gaye sing, the us national anthem.

vamos a ele, kledir ramil - vide sidebar - e o seu sonho. e quem, naqueles dias, não sonhou parecido???

Woodstock

Em 1969, para desespero de meus pais, decidi ir ao Festival de Woodstock. De moto. Sim, eu sei que é loucura. Um garoto menor de idade, sem carteira e sem dinheiro, viajar de moto até os Estados Unidos. Mas era o espírito da época, pra não dizer outra coisa. Bem, consegui chegar até a Praia de Bombinhas, em Santa Catarina. Só não fui adiante porque furou o pneu da moto e me encantei pelos olhos de uma alemoa de Blumenau que estava acampada numa barraca... Enfim, fui atropelado pelos acontecimentos. Woodstock eu vi depois, no cinema. O disco, escutei até furar. Eram 3 LPs. Decorei todas as letras e solos de guitarra. Cheguei a pensar em arrancar os dentes da frente, como fez Richie Havens pra poder cantar melhor, mas bateu um bom senso. Coisa rara naquele tempo. Comprei um medalhão enorme com aquele símbolo de paz e amor, pendurei no pescoço e só tirava pra tomar banho. Aliás, um hábito que, na época, estava fora de moda. Aprendi a mexer com couro e, além de um chapéu, fiz uma bolsa tiracolo, vermelha, com umas franjas e uma ferradura colada pra dar sorte. Fora esses utensílios, meu guarda roupa incluía umas camisetas tingidas com desenhos psicodélicos, 2 túnicas indianas, uma calça boca-de-sino, um tamanco de madeira e um macacão de veludo que, segundo os comentários de minha tia, era capaz de andar sozinho. Deixei a barba e os cabelos crescerem desordenadamente e acredito que aquela revolução, que se passava do lado de fora da cabeça, acabou vazando pra dentro e influenciou o processo de desenvolvimento do meu córtex cerebral. Algumas idéias desconectadas só começaram a fazer sentido recentemente. Minha mãe dizia que o LSD e todas as outras drogas queimavam os neurônios e que nós seríamos uma geração de estúpidos. Eu hoje olho para o mundo e acho que ela estava com a razão. Em parte. Só não concordo que seja culpa do ácido lisérgico. Nem todos nós consumíamos drogas. E as piores estupidezes têm sido cometidas exatamente por aqueles que fumavam, mas não tragavam. Talvez a teoria da minha mãe não tenha fundamento científico e esse atributo da estupidez seja na verdade um karma coletivo da nossa geração. Vai saber. Ao mesmo tempo, não sei de onde os mais velhos tiravam essas informações sobre tóxicos. A droga mais pesada que minha mãe experimentou foi a pílula anticoncepcional. E mesmo assim, uma delas não funcionou. Deve ter vindo malhada. Há pouco tempo, comprei o DVD do filme de Woodstock. Cheguei em casa, botei pra rodar e não consegui parar de assistir. Quando me dei conta estava chorando. Não sei explicar direito. Foi uma mistura de sentimentos. Tudo o que poderia ter sido e que não foi... Não, não estou falando da alemoa de Santa Catarina. Tô falando dessa merda de mundo que a gente criou e está deixando de herança para os nossos filhos. Sem paz e amor.

Um comentário:

Osc@r Luiz disse...

De Clash a Santana, seu gosto musical é refinadíssimo!
\o/
Seu blog é ótimo e tenho algumas coisas pra te contar por email.
Me manda um pra corolla.oscar@gmail.com, que eu te respondo contando algumas coisinhas...
Beijos, querida, na próxima atualização seu link vai estar entre os dos meus amigos. E nem se preocupe em "retribuir". Só linko o que eu gosto. Não gosto da tal "parceria"...
Bom dia pra você!

 
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