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quinta-feira, junho 19, 2008

tocou um rock'n roll, e foi pro cinema

aqui está, o cinema e o rock'n roll, absolutamente entregues, absolutamente emaranhados.

diz a canção ... if you believe theres nothing up my sleeve, then nothing is cool ... ou seja, se você acredita que não há nada na minha manga, então nada é divertido.
em 1999, milos forman dirigiu o
jim carrey em uma cinebiografia, man on the moon.
o título do filme, o diretor pegou emprestado de uma canção e, ao contrário do habitual, a mesma canção, feita sete anos antes do filme foi, como o mais robusto morango da torta, usada em sua trilha sonora.

a música do man on the moon é um capítulo à parte a ser destacado, que contou com canções compostas pelo próprio cinebiografado, andy kaufman, o que legou à obra, uma autenticidade única na história do cinema.

mera curiosidade ... man on the moon - ouça, aqui, ao vivo - a canção, foi executada em 11 de setembro de 1999, dia do atentado às torres gêmeas e mesmo ano do lançamento do filme, no programa de tv, saturday night live. andy kaufman, a razão deste post, integrava o elenco do programa.

r.e.m. - rapid eye movement, ou seja, uma das fases do sono, aquela em que sonhamos mais profundamente, caracteriza-se pelos rápidos movimentos dos olhos - este é o nome de uma banda de rock alternativo, das mais queridas que, mesmo tendo alcançado o sucesso, milhões de álbuns vendidos, shows lotados por multidões de fãs, tem sua carreira voltada para manter a qualidade de suas canções - letra, música, hamonia.

man on the moon é a faixa 10, do álbum de 1992 do r.e.m., automatic for the people.
a letra de man on the moon, reporta a andy kaufman, artista - ele odiava ser chamado de comediante ou humorista. sempre lhe dei razão - nascido nos eua.

song and dance man era como ele preferia ser conhecido já que o rótulo de comediante compelia a assistência a rir e ele preferia que rissem, ficassem tristes ou zangados, quando fosse para rir, entristecer ou zangar. para ele o sentimento era a motivação maior e devia chegar desprovido de fingimento ou obrigação.

a canção emocionada ressalta sua personificação de
elvis presley - aqui, incrível!!! e seu trabalho com fred blassie e jerry lawler.
espalhei pelo texto algumas referências, literárias e visuais, à vida de andy kaufman, a exemplo desta cena no david latterman,
andy kaufman & jerry lawler ... como na canção. sugiro que executem todas elas. não vão se arrepender.

conheci andy no seriado
taxi - apresentou-me o porrinha lá de casa - levado ao ar nos eua, entre 1978 e 1983, que o canal sony apresentou todas as tardes, durante alguns anos. conservo os episódios gravados em fitas vhs.
como latka gravas, aqui e aqui, o imigrante que trabalhava como mecânico de automóveis, na empresa de táxi gerenciada pela personagem do ator danny de vito, andy kaufman foi sensação nos eua.
latka seria a tradução do seu humor peculiar. sua última aparição como latka gravas, foi em 1983.
taxi é uma sitcom e andy detestava a condição de enlatado das sitcons. seu contrato com o programa era eleborado sob muitas restrições. um contrato entre kaufman clifton - uma comunhão entre andy e sua criação tony clifton - e a empresa detentora dos direitos do seriado, também foi assinado.
no seriado, andy dividia boas risadas com o ator christopher lloyd ... impagável!!!

aquela piadinha mal contada, que só é engraçada pra quem conta, andy kaufman transformava na mais notável e hilariante situação. ele passou a vida fazendo isto. mestre em provocar o público, ele gerava as manifestações mais diversas que iam de longas gargalhadas a brigas extraordinárias, passando pelas mais lacrimejantes e comoventes sessões de tristeza, falando, cantando, gesticulando ou em silêncio profundo.
em um de seus shows, onde apresentaria números variados, enquanto o público insistia para que interpretasse o latka, sua personagem em taxi, irritou-se, saiu do palco e, ao voltar, trazia consigo uma cópia do livro de f. scott fitzgerald, o grande gatsby. inacreditavelmente, leu o livro na íntegra de cabo a rabo.

andy era um ator além daquilo que possa traduzir o verbete.

num minuto ele podia ser dhrupick – o irmão invisível - em seguida um lutador de wrestling ou um fazedor de humor, travestir um elvis presley - para quem escreveu uma carta certa vez - com perfeição assustadora, um imigrante, tony clifton, nathan richards, o faquir, tony piccinnini, um mágico, nathan mackoy ou um simples provocador criado de um momento pro outro.
ele não representava, o público é que acreditava nele.
sobre sua mais polêmica criação,
tony clifton, muitos acreditam, até hoje, que não era interpretado pelo próprio criador, pois, tony clifton precisava ser mais real do que aquilo que sua caracterização da personagem pudesse fazer parecer. tony clifton tinha vida própria. ambos possuiam contratos distintos e, até, as vagas de estacionamento eram independentes. era qualquer coisa como o alter ego de andy kaufman.

ele queria chegar ao topo do mundo e, demitido da american broadcasting company, seus shows passaram a ter como palco, os ringues de luta livre e, para lutar com ele, desafiava mulheres.

andy faleceu a 16 de maio de 1984. um colapso renal devido a um tipo raro de câncer pulmonar, foi a causa. não são poucos os que, ainda hoje, duvidam de sua morte, não só pelo secretismo que envolveu o período de sua enfermidade, como também por haver, certa ocasião, manifestado a amigos que desejava fingir-se de morto, e que voltaria 20 anos depois. isto não aconteceu. ele era, sem dúvida, um homem apaixonado e apaixonante, bem à frente de seu tempo.

o filme é uma das belas cinebiografias do diretor mais dedicado a elas, milos forman e o roteiro, um capítulo à parte. cheio de conflitos, ele traduz a tentativa de chegar o mais perto possível da vida do artista.

a base para um roteiro confiável, milos forman foi buscar nas entrevistas com amigos, familiares e inimigos de kaufman.
o filme, tão engraçado quanto dramático, leva o espectador a mergulhar fundo na vida de um dos artistas mais importantes da história contemporânea das artes cênicas.

na vida de andy kaufman ficção e realidade caminhavam juntas, entrelaçadas testando preconceitos e desmascarando a hipocrisia. andy kaufman desafiava a todos sem medir conseqüências. ele acreditava, apenas, em seus ideais.
por razões óbvias, o filme não poderia ser dirigido por outro, a não ser milos forman e não seria o mesmo, caso tivesse sido protagonizado por outro ator, que não jim carrey.

a interpretação memorável advinda da competente capacidade e do talento de jim carrey e a contribuição de andy kaufman, afagadas por uma bela trilha sonora e pela participação do elenco que atuou com andy em taxi, além de outros agregados e amigos do artista, transformaram esse prazer de dirigir, realizado por milos forman, na continuidade de andy kaufman dando-me a impressão, de feliz imortalidade.




yabba ibby dibby dabba ... than-kyouverymuch.


the end my movie





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