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quarta-feira, outubro 22, 2008

o caritas

back to earth later an other cup, click ... click in dark green.




lego, aos que têm menos de 35 ou 40 anos, a chance de aprender alguma coisa sobre um notável e sensível músico inglês, doado ao rock'n roll. conhecê-lo é simples. seus álbuns, as canções contidas neles, contam sua estória.
quatro países, inglaterra, grécia, suécia e eua, não foram suficientes pra conter
steven demetre giorgiou, nascido no soho de londres, filho de um restauranteur grego cipriota e uma sueca, conquistou terráqueos e terráqueas através dos eua. tanto isto é verdade que produziu, naquele país, a sua despedida do mundo dos humanos e mortais.
um dos mais delicados e sensíveis compositores destes anos da era do rock'n roll, um dia achou que tinha pouco espaço para ser generoso, e abriu os braços sobre o islam.

sem saber, uma centelha de temor, abria-lhe o olhar para a generosidade. uma experiência traumática, em 1975, que quase o mataria afogado no mar, foi um enorme insentivo para sua conversão ao islamismo 3 anos depois.

como stevie adams ele começou uma carreira limitada ao espaço escolar do hammersmith college mas, quis o destino que ele caísse nas graças do produtor musical mike hurst, que o convidou para gravar o demo de
i love my dog. a decca, a mesma gravadora que, um dia, recusou os beatles, diante do que escutou na amostra contratou cat stevens, e o amor que nutria pelo seu cão, ficou entre os 40 sucessos ingleses de 1966.
ele era
cat stevens, há 41 anos, quando gravou o single matthew and son, sucesso nos eua e segundo lugar na inglaterra. matthew and son foi, também, o título de seu primeiro álbum, o quarto no ranking de 1967.
o segundo álbum, new masters, no final de 1967 foi um fracasso e, mal começou 1968, cat stevens estava com tuberculose.
foram dois anos de recesso para total recuperação e, em 1970, ele voltou com mona bone jakon - o disco da lata de lixo - e com o single
lady d'arbanville a encantadora canção que foi top 3 in england.
como compositor ele alcançou o reggae de jimmy cliff, que gravou a sua wild world, um sucesso incontestável de ambos.
entre sucessos, e coisa e tal a vida foi seguindo e, finalmente, no final de 1972, o catch bull at four, quase puro rock e, segundo as más línguas, bem comercial, veio à tona para a minha particular satisfação.
em 1973, parecia estar desistindo de tudo, não dava mais entrevistas e resolveu mudar-se para o brasil, mal de saúde e devendo pro fisco. instalou-se no rio de janeiro e resolveu que o dinheiro devido aos impostos, seria doado para obras de caridade. muitos amigos, muitas festas, estrelas de cinema, modelos, aparições públicas veladas ... e ele comparava tudo aquilo às favelas ... uma enorme diferença:

"ao mesmo tempo, havia essa incrível pobreza. no rio, você tem essas favelas, e se existir uma forte chuva, as pessoas perdem os seus lares. a minha consciência não podia suportar isso."

do meio pro final da década de 70, a recepção dos álbuns pelo público, teve altos e baixos. buddah and the chocolate box foi um top 10 e o seguinte, o greatest hits, só nos eua, vendeu 3 milhões de cópias. depois do numbers, um fracasso, veio a recuperação do sucesso com izitso.
com este resultado, retirou-se do cenário do rock e, em 23 de dezembro de 1977, avisou: tornara-se muçulmano.

sua debandada foi um terremoto, uma hecatombe que devastou, a mim e ao resto, quando, em 1976, nos foi dado a saber que ele e sua guitarra estavam saindo de cena, e que a lendária tournée do tigre, majikat, earth tour, seria a última, pra sempre, nunca mais ... ela marcava o mais impactante decréscimo que o meu rock'n roll já presenciara.
o show aconteceu em williamsburg na virginia, num palco lindo, especialmente construído e, em 2004, foi transformado num dvd, resultado da gravação em vhs, guardada a sete chaves, por longos e intermináveis 28 anos.
a ousadia que norteou o espetáculo era de completo ineditismo setentista, desde o formato do palco, até as alegorias que incluiam projeções em tempo real e números de mágica cheios de cor.

destitui-se de todos os bens, casa-se - uma invenção midiática, dava conta que teria sido um casamento arranjado. a verdade, ele mesmo disse em entrevista a alexis petridis, para o the guardian, em 11 de novembro de 2006: eram duas garotas que balançavam seu coração, e teria que escolher uma delas. levou-as, separadamente, à casa de sua mãe, perguntou-lhe qual deveria escolher e ela o ajudou a decidir. ele agradece a d'us por ela ter acertado.
casou-se, teve 5 filhos, dedicou-se, principalmente, à família e à educação de crianças e jovens islâmicos pobres e órfãos produzidos pelo conflito entre israelenses e árabes, distribuídos pelas três escolas islâmicas que fundou em londres. à época do 11 de setembro tiveram que ser fechadas por conta da perseguição que ele, sua família e suas escolas sofreram. no 11 de setembro, os eua tentaram usá-lo como uma espécie de mascote, como ele mesmo definiu. entrevistá-lo significava uma oportunidade para que dissesse sobre esta ou aquela organização. na época, ele não estava cantando, portanto, pouco tinha a fazer. hoje em dia ele diz que prefere cantar a falar, prefere ater-se à música.
após o casamento, entre seus empreendimentos, também houve a tentativa de um hotel em willesden, que não deu certo por não estar localizado em um bairro adequado, com muito fluxo turistas ... ele reclamou: localização, localização, localização ...

como yusuf islam mantém mais do mesmo carisma, sensibilidade e delicadeza, no trato com tudo que envolve o islamismo que ele escolheu como fundamento para sua vida.
a razão de sua conversão ao islamismo, em dezembro de 1977, ele explica:

“eu estava no negócio da música desde a adolescência, só naquela de ter que lançar outro disco e de ter que atender às expectativas. então, para mim, ter uma vida era importante e finalmente consegui quando descobri o islã. era minha oportunidade de voltar à raça humana, por isso chamei meu último álbum de back to earth."

passou 10 anos sem dar notícias aos fãs e quando soubemos dele, no final da década de 80, foi porque as notícias davam conta de que ele apoiara a pena de morte imputada ao escritor salman rushdie, pelo ayatollah khomeini.
tornou-se persona non grata, suas canções comprometiam quem ousasse gravá-las e ele justificou, que suas declarações, haviam sido manipuladas pela imprensa ... eu acreditei - tanto é que o jornais the sun e the sunday times, foram processados por ele. contudo, suas músicas continuavam queridas e populares. em 1990, o lançamento de the very best of cat stevens, era o quinto lugar na inglaterra.

an other cup é a reinvenção da magia do felino, um tigre que virou gato. (rc)

como que atendendo a quase três décadas de lamentos e saudade, o lançamento do dvd, foi um prenúncio para que yusuf islam desse início à gradativa volta aos palcos e ao trabalho de estúdio, com o cd an other cup. entre back to earth/1978 e
an other cup - in the end/2006 houve um iato de 28 anos. a música não encontra oposição no alcorão, o livro sagrado do islam. dois imãs - pessoa de confiança dos muçulmanos; eles seguem suas palavras e o consultam em conversas particulares - foram consultados. um deles proferiu palavras a favor da volta de yusuf à música, contanto que ela expressasse a moral islâmica. o segundo disse que ela iria contra o que maomé pregava. sua decisão recaiu a favor de que, a música, faz bem ao corpo e à alma do ser humano.
sobre sua volta à música,
yusuf islam declarou:

"claro que, sendo de certa forma uma espécie de ícone de uma geração, que acreditava na minha música, e a partir do momento que virei as costas, da maneira que eu fiz, foi um pouco dura. à medida que a idade chega, e você ganhando sabedoria na vida, você percebe que cometeu erros."

"trata-se de energia - há pessoas apontando dedos para mim, dizendo que eu não deveria estar fazendo isso mas, muito honestamente, sua opinião não está tendo efeito sobre ninguém, e eu prefiro, muito mais, pensar que o que estou fazendo agora com a minha pequena guitarra está ajudando a tornar as coisas melhores do mundo."


"eu canto melhor do que falo e, provavelmente, esta entrevista vai provar isto."


o dvd cat stevens majikat, earth tour, 1976, entrou aqui em casa pelas minhas mãos e foi direto colocado na bandejinha do dvd player. ao apêlo de play, e por mais 140 minutos eu não sabia o que fazer com tanta lágrima. até 1977, não havia como conhecer cat stevens, a não ser por fotos e, óbvio, através de sua voz. o dvd do tigre foi a primeira manifestação visual e móvel de cat stevens que tive a felicidade de conhecer depois de quase 3 décadas.


na caixinha, catch bull at four & an other cup para ouvir, inteiros.



Um comentário:

Juan Trasmonte disse...

Que Maravilha! Salve Yusuf! (ou seria seu José?)
An other Cup é fantástico, adorei essa volta dele. O disco respira paz.
Mas meu preferido de todos os tempos continua sendo Foreigner rsss coisa de gringo...
beijos!

 
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