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domingo, outubro 19, 2008

sobre o que me agrada, na música e no cinema do japão

click ... click in black.


em 2005, aos 85 anos, morria kihachi okamoto um dos mais empolgantes e empolgados diretores do cinema do planeta, o mais ousado do japanese movie que, por conta do centenário do japão no brasil, está sendo homenageado
na mostra 32.
partindo daí, achei necessário contar algumas particularidades da minha paixão pela banda oriental da música, do cinema e sobre quem ela recai.
a admiração que nutro pela arte musical e cinematográfica japonesa vem de muitos, felizes e bons, pares de anos, desde akira kurosawa e kihachi okamoto, confirmando com o belo e charmoso
toshiro mifune e sacramentando com o carismático e hipnótico, ryuichi sakamoto, o símbolo do que me expressa o rock e a música do japão e, mais ainda, a união sublime de música com cinema, não só do japão, mas do mundo.
no meu coração, música e cinema japonêses, resumem-se às 4 referências
sitadas e, a partir delas, abre-se um caminho infinito de beleza pra ver e ouvir, como não existe em nenhum outro recanto deste planeta.
me emociona a elaboração deste texto porque sou apaixonada por eles e é deles o privilégio e a responsabilidade por eu ter, um dia, me transformado em rato de locadora, de cinema, de loja de disco e de livraria onde eu imaginasse pudesse haver a mínima referência sobre kurosawa, okamoto, mifune ou sakamoto.


akira kurosawa e toshiro mifune, juntos, em quase 20 filmes, virão seguidos dos outros 2, porque questões absolutamente íntimas ligadas a boas lembranças, os faz merecedores do ponto 1 e 2 da fila.
não sei com qual deles começou, se com
rashomon, yojimbo, sanjuro, the rickshaw man, ikiru, seven samurai, throne of blood - a versão de kurosawa para o macbeth de billy shakespeare - akahige de 1965 ... alguns dos maravilhosos films noirs japonais de kurosawa, produzidos entre as década de 50 e 60, vistos e revistos ... inesquecíveis.
o que eu sei é que dô desu ka den - seu primeiro filme colorido - aqui, o tema por toru takemitsu, dersu uzala, dreams, ran ... acrescentaram cor, embora nem precisasse, ao que eu já sabia sobre o cinema perfeito.
em dô desu ka den - gosto de dizer que é a primeira tela filmada de kurosawa - os delírios de um menino, deficiente mental, que acredita ser o maquinista de um trem saído de sua imaginação, chega ao drama de pessoas moradoras de uma favela em tóquio ... crianças mendigas, aleijados, a garota que trabalha para sustentar o padastro beberrão, todos abandonados e rejeitados. no entanto, sua luz e seu colorido, foram comparados a obras de wassily kandinsky, aqui, aqui e aqui, e piet mondrian
.
a explicação que encontro para a beleza estética de seus filmes é simplista e me satisfaz: kurosawa era um artista, um pintor - afinal, sua carreira teve início com a pintura.
indiscutivelmente, os filmes de kurosawa receberam um toque especial de cor, sensibilidade e beleza o que fez com que se transformassem em filmes perfeitos. kurosawa doou, às pequenas e simples sensações da vida, através da sua habilidade na arte cinematográfica, que tudo pode, e do seu gosto pela pintura, uma importância que transcende ao comum, ao visível. a verdade delicada da narrativa, a graça e a beleza das personagens, o encantamento provocado pelo colorido das imagens, tudo colaborou para eternizar sua obra grandiosa.
no entanto, o kurosawa cortejado pelo ocidente, não recebeu, de seu país, o mesmo reconhecimento. para o japão, akira kurosawa, era um criador de filmes de categoria secundária.
francis ford coppola, steven spielberg, martin scorsese, george lucas, numa época em que não passavam de jovens cineastas americanos, tiveram participação fundamental na vida de kurosawa que, não conseguindo financiamento para produção de seus filmes, tentou suicídio. os amigos juntaram recursos para financiá-lo.


toshiro mifune era filho de missionários japoneses e, por conta disto, um japones nascido na china, em 1 de abril de 1920 mas, com permissão para uma gracinha, ele representa a solene verdade do cinema do japão.
com a morte de ambos, toshiro mifune em 1997 e akurosawa, aqui, dirigindo ran em 1998, ficou complicado reorganizar o que já estava em seu lugar.

não poderia haver melhor oportunidade do que os 100 anos do japão no brasil, para que a mostra internacional # 32 despencasse uma bacia do que há de mais importante no cinema japonês.
montar uma programação com filmes -
serão 14 - do diretor de battle of okinawa, é fazer da mostra # 32 uma das mais notáveis dentre todas, e kihachi touch, está sendo descoberto por muitos e revisto por alguns.
kihachi okamoto é bem pouco conhecido no ocidente, mas sua importância para o cinema japonês é indiscutível. sensível e dinâmico, kihachi okamoto popularizou o cinema do japão retratando as questões mais importantes do povo de seu país.
aos 19 anos seu trabalho como assistente de direção nos estúdios toho sofreu uma brusca interrupção, foi recrutado para engrossar as tropas do pacífico na segunda guerra. esta experiência mudou pra sempre a visão da violência mostrada pelo cinema japonês através dos filmes de samurai. com okamoto ela passou a ser outra.

sua carreira foi dedicada aos dramas históricos e filmes de ação entremeados por comédias musicais ou histórias cômicas ágeis e rápidas, que deixavam claro o tom dinâmico de seu trabalho com a câmera, apelidado de kihachi touch, o toque kihachi. à maioria dos seus filmes eram emprestados elementos do western americano, explicados, por sua grande admiração por john ford.

na mostra 32 estão sendo exibidos 14 dos 39 filmes dirigidos por kihacho okamoto inclusive, westward desperado, red handkerchief, the sword of doom - estrelado pela vedete do cinema japonês, toshiro mifune.

ryuichi sakamoto, eu tive a felicidade de conhecer, quando integrava o trio de rock japonês, yellow magic orchestra e, logo depois, pude rever como ator em merry christmas mr. lawrence, filme no qual ele atuou ao lado de david bowie e para o qual compôs a soundtrack.

nada fica esquisito quando se trata de juntar música erudita e música eletrônica a ryuichi sakamoto.
depois de desfeita a ymo ele passou a funcionar como o mais eclético músico e compositor japonês.
hoje, com 56 anos não deixa dúvida sobre sua dedicação à música e ao cinema que, desde cedo, foi manifestada através de muito interesse e muito estudo.
a trilha sonora para o merry christmas ... foi a primeira, mas a soundtrack do the last emperor lhe valeu um oscar e foi o carro chefe para que rs se tornasse um dos mais requisitados compositores para música de cinema.
em 2002, com jacques morelenbaum, realizou um sonho brasileiro gravando músicas de tom jobim cantadas pela voz de paula, uma cantora pouco conhecida entre nós.

de quebra, o tema de merry christmas mr. lawrence, por kataro oshio, violonista japonês.

fotos em: in between thoughts, bibi's box. asia shock.


3 comentários:

Tânia Andrade disse...

Eu também amo as várias manifestações da cultura nipônica! Aprendi a ver Yasujiro Ozu e Akira Kurosawa na escola de cinema e agora não passo sem eles. Então, Kurosawa tem um estilo muito próprio: seus filmes são puramente clássicos na forma mas decisivamente românticos no conteúdo... É admirável mesmo. Quanto à música, gosto de muitas bandas como Cornelius e Pizzicato Five. Há uns anos descobri uns tais de Ghost na capa da revista Wire e fiquei encantada! Outra coisa que eu descobri recentemente foi uma espécie de rádio das nações. Tem uma só com música nipônica, checka aí:
http://cotonete.clix.pt/ouvir/radios/tematica.aspx?id=99

requeri disse...

pena q vc não dexou a indicação de um canto seu, onde eu pudesse deixar a resposta ao seu coment. tb sou fuçadeira e descubro pérolas incríveis.

Juan Trasmonte disse...

Regina!
Grande resgate pra variar. Não esperava encontrar esse grande samurai aqui...
E muito menos meu quadro! Estou parecendo o funcionário do mês do McDonalds rsssss
Valeu, muito obrigado
beijos!

 
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