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terça-feira, novembro 11, 2008

em 29 de novembro de 2001, o rock perdeu parte de sua cor

click ... click in red.

acreditem, enquanto escrevia este texto, duas coisas aconteciam, eu ouvia george harrison e chorava ...




na fórmula 1 de 1979, em interlagos, soubemos que haveria mais que a motivação intrínseca, pra nossa ida ao autódromo.
um beatle, e não qualquer beatle, o mais jovem, o mais incrível, mais inspirado, mais melódico, mais lindo, mais musical - o som da sua guitarra vem das nuvens, com eco - o mais bem humorado,
my sweet lord, o meu ídolo sobre todos os meus ídolos, estaria lá.
ficamos instalados no melhor gargarejo do qual o autódromo dispunha. entre nós e a pista a distância era benevolente, curta, quase nenhuma. sem aquela tela de arame estávamos dentro dela. os carros passariam bem ali, na nossa frente, à nossa altura.
evidente que, com tietagem congênita comprovada em dna, eu não poderia estar sentada.
postei-me agarrada ao alambrado, feito uma trepadeira ...

pouco antes da largada, ele e jackie stewart - ou seria com bernie ecclestone??? minha teimosia mantém a dúvida - deram uma volta pela pista com o carro de passeio e meus pulmões estouraram, sem dúvida, gritando seu nome.
o carro passou devagar, bem ali na minha frente, e ... ele olhou pra mim!!! para o meu lado, pra sua direita, em minha direção. senão, porque desviaria o olhar que, até então, se mantinha direcionado para a pista???

ele me viu, tenho certeza e, nem aquele cancro medonho que o matou, foi capaz de limpar da sua memória, os gritos e a imagem de uma brasileira maluca e escandalosa de cuja boca ele teve a feliz surpresa de ouvir seu nome.

castilho de andrade - leiam a seguir - em sua coluna, conta sobre o maravilhoso ano de 1979, quando eu tive a maior alegria da minha vida: estar respirando o mesmo ar que ele, a poucos passos dele, e ter chamado a atenção de george harrison sobre mim.


GEORGE HARRISON EM INTERLAGOS
13/01/05
George Harrison só veio ao Brasil por causa da Fórmula 1 e de Émerson Fittipaldi. Foi uma visita rápida, em 1979, mas não incógnita como ele gostaria. Entre Beatles, Rolling Stones e outros grandes grupos da música pop da década de 60, ninguém gostou mais da F-1 do que Harrison.
Se Ringo Starr deu diversas voltas no circuito oval de Indianápolis, em um carro de passeio, ao lado dos seguranças do autódromo, durante a turnê dos Beatles pelos EUA em 1964, Harrison foi o beatle que mais freqüentou as pistas. Assistiu diversas corridas de Émerson Fittipaldi, na F-1 e na Indy. Mas nunca disfarçou sua preferência pela categoria européia.
Em Interlagos, durante o GP do Brasil de 1979, Harrison esteve na pista nos três dias. Na sexta, passou meio despercebido e só foi reconhecido depois do treino oficial, usando grandes óculos escuros e sempre acompanhado por Jackie Stewart que tinha virado comentarista. No sábado, graças à interferência de Claude, assessora da Renault, ele acabou concedendo sua única entrevista no autódromo. Eu e a repórter Laura Greenhalg, hoje no jornal O Estado de S. Paulo, passamos no box da Renault cerca de meia hora com guitarrista. Falou de música, do fim dos Beatles e, principalmente, de Fórmula 1.
Contou que chegou a andar com um Fórmula Ford em Donington Park, quando já tocava nos Beatles, e não escondeu suas preferências. Na época, “como inglês, eu torço por James Hunt”, disse. Hunt fez em 1979 sua última temporada. Falou bem de Niki Lauda, de Jody Scheckter - que venceria o título naquele mesmo ano pela Ferrari - e revelou sua admiração pelo amigo Émerson Fittipaldi. “Ele é fantástico. Quem me apresentou a ele foi o ator David Niven, em 1973, em Brands Hatch. Ficamos amigos logo.”
Alguns meses antes da corrida em Interlagos, George tinha ficado chocado com a morte de um piloto que apreciava a agressividade e o arrojo: Ronnie Peterson. O sueco morreu depois do acidente que sofreu em Monza, em setembro de 1978, na largada do GP da Itália. No Brasil, em fevereiro de 1979, Harrison disse que não se conformava com a morte do piloto. “Eu assisti a corrida pela televisão. Depois fiquei ligando para os amigos da Fórmula 1, torcendo para que ele se escapasse com vida. Mas não deu, infelizmente”.
Ainda naquele mesmo ano, em 79, no álbum “George Harrison”, ele prestou sua homenagem à Fórmula 1 na faixa 'Faster'. No encarte do disco, Harrison fez questão de deixar claro: “A música 'Faster' foi inspirada em Jackie Stewart e Niki Lauda. Dedicada a todo o circo da Fórmula 1. Agradecimento especial a Jody Scheckter. Em memória de Ronnie Peterson”. Nos últimos versos, 'Faster' diz: “...poucos tentaram realizar seus sonhos / mais rápido do que uma bala”.
Harrison não voltou mais ao Brasil até sua morte por câncer em novembro de 2001. Mas chamou Émerson para uma conversa de despedida, alguns meses antes, quando sentiu que não sobreviveria muito mais tempo. Para o convalescente Émerson, depois do acidente em Michigan que encerrou sua carreira na Indy, Harrison fez uma paródia de “Here Comes the Sun”, mudando a letra para 'Here Comes Emerson'. Melhores votos de rápida recuperação seriam impossíveis.
Quanto à entrevista de Harrison em Interlagos, ela acabou rendendo a última página do Jornal da Tarde. E valeu até uma nota na revista Auto Sport pelo esforço que eu e Laura Greenhalg fizemos para que ela ocupasse o espaço nobre do jornal. E a corrida, que não teve brasileiros no pódio nem entre os seis primeiros colocados e terminou com a vitória de Jacques Laffite, ficou para as páginas internas. (Castilho de Andrade)

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