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quarta-feira, dezembro 17, 2008

estórias sobrenaturais ... robert johnson

"o rock’n roll é tão fabuloso, as pessoas deviam começar a morrer por ele. (...) as pessoas simplesmente devem morrer pela música. as pessoas estão morrendo por tudo o mais, então por que não pela música? morrer por ela. não é bárbaro? você não morreria por algo bárbaro? talvez eu deva morrer. além do mais, todos os grandes cantores de blues morreram. mas a vida está ficando melhor agora. não quero morrer. quero?”

quem disse???
lou reed, um dia, velvet underground.

os caminhos do rock'n roll começaram a ser traçados na década de 30, pelas cordas do violão de robert leroy johnson, o músico responsável pela definição do som que seria uma das bases do blues moderno e, conseqüentemente, do rock'n roll.
o rock'n roll é coisa de negro, de negro africano, do povo daquele continente musical, que canta quando quer rir, que canta quando quer chorar.
ironicamente, o negro feito escravo, levado pra fora de sua nascente pra servir ao branco, carregou consigo a música, a despejou quente sobre todos, e o branco, feitor, se rendeu a ela.
o rhythm and blues, o lado negro do rock'n roll, proliferou e alastrou pelo mundo.
já foi dito em outro post, o negro cantava e dançava a música tirada da alma, pra protestar contra a repressão escravizadora.
o rhythm and blues foi fundido à música branca, ao country, ao folk dos estados unidos.

na década de 50, foram os jovens dos estados unidos os primeiros a usar o rock como arma contra a sociedade. seu alvo era a cultura, a educação e o sistema político. vem daí a expressão, rebelde sem causa.
na inglaterra, a classe operária, acompanhando o rítmo do blues americano, chegou ao rock'n roll. não esquecer que liverpool, é uma cidade operária.

as estórias do rock'n roll são únicas e especiais.


tudo ficaria mais difícil se o cinema não andasse do lado da música.

diz a lenda que numa encruzilhada, ao norte do delta do mississipi, numa
união com o diabo, este concedeu a robert johnson perfeição, maestria e uma técnica apuradíssima com as cordas da guitarra, tudo à base de troca, e ele quis sua alma. foi uma carreira curta, 29 composições gravadas.
sua morte, aos 27 anos, dizem, foi por envenenamento. uma mulher abandonada, ou um marido enganado fizeram uma alquimia de naftalina ou estricnina com whisky, e ele tomou. quem estava lá não hesitou ao dizer: morreu uivando, como um cão danado.





não sei o que seria de mim, se o cinema não estivesse atento, andando paralelo e registrando o máximo de tudo, pois, além dos filmes que narram sua estória curta, algumas obras injetam sua figurinha carismática, uma guitarra, o terno escuro e um chapéu, surpreendendo os amantes das duas artes, música e cinema.

robert johnson criou sua própria lenda e com ela o delta blues.

o filme crossroads, emblemático, visto, revisto, decorado e inesquecível, escrito por john fusco e dirigido por walter hill em 1986, com ralph macchio, john seneca, steve vai ... é o encontro de lightning boy e blin dog ou eugene martone e willie brown, respectivamente, um garoto, brilhante guitarrista, apaixonado por blues, ansioso para encontrar a canção perdida de johnson e um tocador de blues que fora amigo de johnson, querendo quebrar o pacto com o diabo.
o encontro dos dois se dá quando o garoto descobre que um dos seus maiores idolos da música está vivo mas numa penitenciária em new york.
com a ajuda do garoto ele foge, e os dois seguem em uma aventura às margens do mississipi, o mesmo que, um dia, fora testemunha do trato entre
rjohnson e o diabo.
a trilha sonora tem ry cooder ao lado de steve vai como compositores dos solos das guitarras que
duelam ...


durante o duelo é tocada a versão do caprice # 5/paganini criada para o filme, por steve vai. a guitarra é manuseada pela personagem de macchio, com perfeição. seus dedos reproduzem todos os movimentos dos acordes mas, de verdade, o som que se ouve é da guitarra de steve vai ... paganini, assim como robert johnson, tinha feito pousar sobre si, o mesmo feitiço de robert johnson, o da alma doada ao demônio para conquistar habilidade musical.

outro filme, outra estória.

o brother, where art thou???, movimentado cross road movie, é uma maravilhosa miscelânea universal com os dois pés na obra de homero, a odisséia, e foi realizada/dirigida pelos irmãos ethan e joel cohen, em 2000. três amigos prisioneiros fogem de uma prisão no mississipi, durante a depressão americana e tentam chegar em casa. no caminho encontram um negro, com uma guitarra, numa encruzilhada e os quatro seguem juntos. a obra dos irmãos cohen é a incrível cantoria de uma odisséia bem tocada.

existem registros de que o blues vinha sendo tocado 15 anos antes de robert johnson. no entanto, na década de 30, ele modificou seu estilo enfatizando os graves, utilizando uma técnica com riffs mais engenhosos e um rítmo mais regular.

6 comentários:

Edson d'Aquino disse...

Que belezura de texto, menina!
Assisti a todos esses filmes e são clássicos. Aconselho também o 'Black Snake Moan' com Danny Glover e Cristina Ricci. A trilha tá lá no G&B. Mas, me diz uma coisa: quem canta esse repente que fez backing pra esse delicioso curta sobre Mr. Johnson?
}{ões

requeri disse...

edson, vc dizendo isso me deixou quase chorona. beijo.

Victor S. Gomez disse...

Lou Reed, punk antes dos punks. O cara é fabuloso, o melhor de sua época. Abraços
p.s. Acho que aprendi a colocar url. Obrigado. bjs

Vítor Alves disse...

Finalmente encontro um texto bem escrito e informado sobre uma das mais importantes figuras do blues, o Robert Johnson! Ele é daqueles músicos que, apesar do gênio que indiscutivelmente têm, acabam mal. A minha versão preferida sobre sua morte é a que diz que ele vendeu sua alma ao diabo, em troca da proeza na guitarra. Essa é a versão que me diverte mais. Mas aquela em que eu acredito é a "oficial", do envenenamento! Triste fim! Nesse link você pode ler e ouvir uma matéria sobre os bluesmen principais:
http://cotonete.clix.pt/quiosque/especiais/blues/index.asp
Eu amei!

requeri disse...

vitor alves, pena vc não ter deixado um endereço pra eu te achar.
as estórias são duas distintas.
uma é a do diabo. ele contava que tinha venddo a alma em troca da perfeição.
a outra é a da morte que foi por envenenamento, como diz a estória da vida dele.
as 2 estórias são independentes uma da outra.

Jorge Alberto disse...

Perfeito!

 
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