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segunda-feira, dezembro 08, 2008

flor bela d'alma da conceição espanca

arrepia, canta junto, chora com fagner declantando o fanatismo de florbela espanca.



"... e não haver gestos novos nem palavras novas.”

com esta frase, às 2 horas do dia 8 de dezembro de 1930, dia em que seus dedos encerram a contagem de trinta e seis aniversários, florbela d’alma da conceição espanca sela seu diário e comete suicídio ingerindo dois frascos de veronal.
décadas mais tarde seus restos mortais são transportados para vila viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.

atrevo-me com florbela espanca (1894/1930), cujo sentimento, transmudado em tantos versos, como a pura versão de uma vida colorizada de anil, violeta e negro e sob o ingênuo pretexto poético, de traduzir o drama que constituiu sua fugaz existência.
o drama, iniciou-se quando ainda menina e foi consumido, acabado, completado, no primeiro ano dos da década de 30, enquanto a poetisa contava, nos dedos, os dias que restavam de uma vida amarga, sofrida ...
a obra, plena de melancolia, de florbela espanca, me atrai sobremaneira.

a carta de florbela ao irmão, em 29 de dezembro de 1923, conforme carimbo do correio traduz, intimamente, o ânimo de sofrimento intenso.

Meu querido irmão
Certamente te irá surpreender e penalizar a minha carta, mas entendo que é melhor dizer-te eu própria tudo o que há de novidade, em vez de deixar que aos teus ouvidos cheguem malevolências que te podem dar de mim uma ideia errada e injusta.
Eu deixei que tivesses da minha vida uma certeza de felicidade que ela de forma alguma possuía, nunca me ouviste uma queixa, nunca ninguém me viu uma lágrima, e no entanto a minha vida de há 2 anos foi um calvário que me dá direito a ter razão e a não me envergonhar de mim. Sofri todas as humilhações, suportei todas as brutalidades e grosserias, resignei-me a viver no maior dos abandonos morais, na mais fria das indiferenças, mas um dia chegou em que eu me lembrei da vida que passava, que a minha bela e ardente mocidade se apagava, que eu estava a transformar-me na mais vulgar das mulheres, e por orgulho, e mais ainda por dignidade, olhei de frente, sem cobardias nem fraquezas, o que aquele homem estava a fazer da minha vida, e resolvi liquidar tudo simplesmente, sem um remorso, sem a mais pequena mágoa. Estou a divorciar-me e para me casar novamente, se a lei mo permitir, ou para viver assim, se a moralidade do Código o exigir. Dois anos lutei em vão para fugir a um amor que estava a encher-me toda, e este que encontrei agora orgulho-me dele pois é um ser único, como eu esperava encontrar, enfim, na vida.
Tudo quanto me digas não é a décima parte do que eu me tenho dito. Pensei na sociedade, pensei na família, nos amigos, e principalmente em ti, mas que queres? Eu não podia sacrificar-me a isso tudo que é muito, mas que nada é comparado a isto que eu sinto e que eu antes queria morrer do que perder. Por isso não me digas nada, para quê? Pensa de mim o que quiseres, que eu estou disposta a aceitar tudo contanto que uns olhos me vejam sempre a melhor, a única entre todas as outras. Que importa o resto?
Para ti serei sempre a mesma, a irmã muito amiga de quem podes dispor em toda a minha vida; para os outros morri; que me enterrem em paz, que não pensem mais em mim e é tudo o que eu desejo.
Gostava de saber de ti, mas se tu não quiseres mais lembrar-te que eu existo, adeus até um dia que tu queiras, pois serei sempre a mesma, a tua Bela.

filha de joão maria espanca, um dos pioneiros do cinematógrafo em portugal que, casado com maria toscano e não podendo ter filhos, faz uso de uma prerrogativa machista que reza: se um casamento não gera filhos, o marido pode tratar de tê-los com outra mulher.
nasce, deste refrão medieval, flor bela lobo, em 8 de dezembro de 1894.
a mãe, antonia conceição lobo, depois de gerar mais um filho de joão maria, apeles, abandona-o e às crianças, que passam a conviver com o pai e sua mulher. a madastra???
na escola primária, em 1899, flor bela passa a assinar flor d’alma da conceição espanca
a iconografia (pra quem não sabe, coleção de imagens) de florbela é bastante extensa e a maioria de suas imagens, foi feita pelo pai que montou um estúdio em évora, despertando nela a paixão por aquela arte.
a vida e a morte foi, aos sete anos de idade, seu primeiro poema e, nele, ela demonstra a preferência por temas melancólicos.
seu ingresso na escola secundária é quase inédito, pois, aquilo não era visto com bons olhos pela sociedade. aos 19 anos acontece seu primeiro casamento com alberto moutinho, colega de escola.
o projeto, trocando olhares, coletânea de 88 poemas e três contos, de 1915, ainda pode ser visto através do caderno que deu origem ao projeto e que está exposto na
biblioteca nacional de lisboa, aqui, a home.

sua vida, desde cedo, é abarrotada de frustrações e altos e baixos.

abortos, casamentos que terminam e que provocam o afastamento da família, a morte do irmão apeles, em um trágico acidente ...
florbela morreu exatos 36 anos depois do dia em que nasceu.

os meus ... ninguém ... a minha dor não cabe, nos cem milhões de versos que eu fizera! ...

8 comentários:

Ev@ disse...

Continuo agradecendo, sua atenção.
Toda ajuda é bem vinda.
Sabe, mesmo quando não usamos, o q nos oferecem, sentimos GRATIDÃO, por sermos lembrados.
Nem pensei, nem achei q vc queria mudar algo no meu Blog, achei e continuo achando, q a sua intenção foi de ajuda... O q como disse antes continuo agradecendo.
Só não agradeço elogios, porque ele ainda não está merecendo.
Beijos c/ sabor de ser lembrada.
Ev@

O Profeta disse...

Este Mar que beija a Ilha
Traz de longe sonhos perdidos
Adormece na areia e deixa
Na espuma mil e um segredos

Meus sonhos são estrelas que semeio no espaço
São corpo nu que vagueia pela saudade
Brotam e correm para o Mar
Enfrentam a dor a tempestade



Uma luminosa semana


Mágico beijo

Magus DeLirio disse...

Olá Requeri!

Obrigado pelos teus comentários no meu blog e pelo link!

Comop disse: «No q toca ao rebloggando...tás a ser muito modadesta. Como se diz por aí: teu blog é 10.»

Rock também é minha praia. Inclusive tenho um blog a respeito. Infelizmente não tenho tido muito tempo para actualizá-lo.

Bjs!

Alessandro Dogman disse...

Rê, falei tanto de Florbela desde ontem, que perdi as palavras agora. Deixo-as todas pra ti. Disseste tudo! Muito bem feito o teu post sobre a poetisa dos simbolistas. E como é que é, você some e não dá mais as caras, com os comentários pra lá de bem-humorados? Tô esperando... Ain da esperando... Fui! Beijão e ótima noite pra ti!

Jorge Fortunato disse...

Agora não tem jeito, fui laçado e tomado de paixão. A alma já não está perdida...encontrei a poesia, já não ando mais sozinho
beijos

bloguedomonstro disse...

1980, alguns jovens, uma praçinha do interior, um violão, vinho...
embalados por Fanatismo, romperam a madrugada até a intervenção da polícia.
Fernando, Maurício, Silvio, Eder, Bruno, João Francisco (Gordo do Ratos de Porão), Luiz Leocádio e Cadu já haviam cantado Beatles, Deep Purple, Mercedes Sosa, Ednardo, Belchior e agora cantavam Fagner.
A polícia veio acompanhada do alcaide para afugentar os arruaceiros... cidade pequena...
Este, o alcaide, era o incomodado vizinho da arruaça que chamara a polícia.
Chegaram imponentes bem no meio de Fanatismo... estranhamente, aguardaram o final da canção.
Após o fim, preparávamo-nos para as algemas! Eram 5 horas!
Foi que o alcaide falou aos policiais:
- Podem ir que eu me encarrego dos meninos!
Ficamos, todos, até o amanhecer a atender pedidos do noctívago prefeito.

Um desses jovens era este Monstro.

bloguedomonstro disse...

Refeitas as contas da idade deste Monstro...

1982... blá, blá

bloguedomonstro disse...

Este Monstrengo NUNCA, mas NUNCA mesmo, soubera que ali levava "c" e não "ç". Jamais! Aprendi contigo.

O textículo acima tem:
- 12 parágrafos, sendo 11 não-em-branco;
- o parágrafo mais comprido tem 201 toques, o mais curto tem 38;
- 843 caracteres com espaços, 721 sem eles;
- 132 palavras e "uma delas com um "Ç" tão grande, mas tão grande que dizimou todas as demais" além do bucolismo do textículo".

 
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