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segunda-feira, janeiro 19, 2009

b92, a rádio pirata, o rock e a resistência jovem da sérvia

em belgrado, uma rádio fundada em 1989, ainda existe e se mantém voltada pro jornalismo crítico, porém, a vontade de ferro do princípio, que a fez participar ativamente contra o regime de milosevic, se perdeu, e ela é uma rádio comercial, de qualidade, um romantico registro de preservação em nome dos que resistiram àquela ditadura.

senta que lá vem a estória:
de 1953 a 1980 josip broz tito governou a iuguslávia sob as rédeas do regime comunista.
o aniversário do ditador era comemorado com paradas militares, as ruas se enchiam de populares que assistiam a exibições públicas.
em 1989, a sérvia fez diferente, e criou uma rede de tv e rádio para jovens, que permaneceria ativa por duas semanas, enquanto durassem os festejos.
a rádio foi entregue a um grupo de jovens para que cuidasse da programação que deveria contar com boa música.

a questão fundamental sobre a tal novidade é que os jovens encarregados de comandar a rádio, não gostavam de tito, eram críticos veementes, eram contra o regime comunista e conhecidos como os filhos descontentes do ditador.
estava armada a confusão para os jovens, cujo maior desejo, era verem tito pelas costas.


alguns discos, um transmissor e a gana pela justiça foi o começo de um projeto que pretendia tocar música mas se transformou numa enorme pedra nas botas do governo.
durante aquele período aconteceram duas guerras.

contra eles muita violência da polícia, ameaças ... na tentativa de acabar com aqueles jovens atrevidos e combatentes.
logo vieram as acusações dos covardes que, em nome do governo de milosevic, os nomeavam traidores, espiões e terroristas ...
a resistência que a geração perdida, como auto-intitulavam a si mesmos mantinha, era amparada pelo anarquismo das idéias que norteavam suas transmissões e musicada pelo rock, pela música tecno, pelo rap.
contrastava com a manifestação jovem, inteligente, pacífica e barulhenta, uma propaganda governista controlada pelo estado e musicada por uma salada à base do europop e folk servio, de gosto duvidoso.
sem tito, o povo servio parecia anestesiado. foi o nacionalismo exagerado do governo de slobodan milosevic que despertou o país pra violência mas os jovens ainda mantinham a esperança de que, em algum momento, o derramamento de sangue seria evitado.
de 1989 a 2000, ano em que milosevic foi posto na rua, a b92 saiu e voltou ao ar quatro vezes mas se manteve forte, corajosa, criativa e bem humorada.
the clash e public enemy/fight the power era o som habitual da rádio.

obra: b92 rádio guerrilha - rock e resistência em belgrado
autor: matthew collin, traduzido por marcelo orozco.
editora barracuda

tudo aquilo provocou a imaginação e a criatividade de um jornalista inglês que, como correspondente da the face na sérvia, teve a idéia para escrever, b92 rádio guerrilha - rock e resistência em belgrado, livro que conta as agruras dos iugoslávos na década de 90 em meio à violência, ao medo, à incerteza quanto ao futuro, que não conseguiam imaginar sem o comando ditatorial de milosevic.
matthew collin, hoje no noticiário do serviço mundial da bbc, conheceu a os fundadores daquela rádio que lhe abriu as portas, as gavetas dos arquivos e a alma das principais personagens da b92, que funcionava no centro de belgrado, num modesto conjunto comercial.


aqui, está disponível o depoimento dado por veran matic, um dos jovens fundadores da rádio, ao site via política, em 2006, por ocasião da sua vinda ao brasil. imprescindível sua leitura.

a rádio b92 existe até hoje, e pode ser ouvida
aqui.

Um comentário:

Luciana disse...

Oi, Re, adorei a história da rádio, do Tito e do regime comunista. Sentei e li toooooda a história. Eita, que esse teu "porrinha" é muito lindo! Só tem ele? à primeira vista, ele parece com você. Beijos, Re!

 
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