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segunda-feira, janeiro 19, 2009

mozart, um alvo da mídia de seu tempo

os vídeos foram escolhidos por ordem de aparição na busca, já que é impossível usar de outro critério se o gosto é total e abrangente. o primeiro, o rondo-allegro do concerto para flute and flute & harpe. o segundo o maestro preferido, claudio abbado, regendo a abertura de le nozze di figaro.



27 de janeiro de 1756 ... mozart, se lhe fosse concedido o mérito da longevidade, completaria 253 anos.
batizado johannes chrysostomus wolfgangus theophilus mozart, teve seu quarto nome trocado por amadeus.

se houvessem paparazzi entre 1756 e 1791, mozart seria o alvo certeiro do flash de suas teleobjetivas.
sua vida envolta em exageros, ousadias, abusos, não passaria sem uma notícia semanal acompanhada de alguma frase obscena ou uma foto mal entendida.

cartas, inúmeras, que wolfgang trocava com a família, demonstram o quanto irreverente ele era, mesmo tratando com o pai dedicado, tanto quanto, dominador, repressor e autoritário.
o acesso a elas tenho por conta da organização e apresentação de kurt pahlen em, mozart crônica de vida e obra, traduzida por dante pignatari e publicada pela editora melhoramentos.
numa delas, ou melhor, numa carta que leopold mozart escreve à família em 2 de maio de 1770, estando ele em roma com wolfgang, este coloca um post scriptum dirigido à mãe e à irmã em salzburg:

"Graças a Deus estou com saúde, e beijo tanto a mão da mamãe como de minha irmã, o rosto, o nariz, o pescoço, e minha má pluma, e o cu, se estiver limpo.

Wolfgang Mozart. Roma, 1770."


a irreverência, a paixão, a força, a exuberância, a inteligência, ... de mozart são possíveis de ser notadas em sua música, pois, mesmo quem não conhece um fá sustenido, sente-se atraído por ela. ele é único, sem escola que o antecedeu, sem seguidores, sem predecessores.
haydn era respeitado por mozart que lhe dedicou 6 quartetos. beethoven apresentou-se a mozart para que comentasse sobre suas técnicas no piano. haydn, mestre de beethoven, e o maior compositor de sua época, diria, aos 60 anos que, àquela altura ainda aprendeu com mozart.

a encantadora vida do mais extraordinário compositor de sempre terminou repleta de opiniões divergentes quanto ao motivo de sua morte. dizer que mozart foi vítima de salieri, não é a tradução fiel da verdade. o filme de milos forman, usa da licença poética para aludir ao outro, menos afortunado pela notoriedade, porém, não menos competente que seu colega, a responsabilidade pelo fim da vida de wolfgang.
salieri reconhecido, pelo próprio mozart, como invejoso de seu talento, foi professor de música de franz xaver mozart - wolfgang amadeus sohn - filho mais novo de wolfgang. além disso, no final de 1791, mozart levou salieri e katherina cavalieri sua, diziam as más línguas, amante, para uma apresentação da flauta mágica - k.620. consta que salieri e katherina tenham adorado.
uma verdade é a confissão de salieri, já muito velho, tendo perdido o juízo e depois de uma tentativa de suicidio, sobre ter sido responsável pela morte de mozart.
no entanto, a vida de mozart, desde o nascimento, foi cheia de atribulações e repleta de ocorrências que envolviam sua saúde, o que retira qualquer dúvida sobre o suposto crime.

wolferl, como era tratado em casa, nasceu sob instável estado de saúde. ultrapassada a primeira infância, e tendo sido descoberta sua aptidão musical, aos 5 anos, passou a ter uma vida com responsabilidades de adulto. seu pai assumiu o controle de tudo e o levava pra todo canto submetendo-o a demonstrações cansativas de seu talento.

mesmo adulto, sua saúde era surpreendida por alguma intercorrência.
na holanda em 1765, ele ficou muito doente e acredita-se que tenha contraído tifo, entrou em coma e emagreceu demais. nannerl, a irmã, também ficou doente, chegando a receber os últimos sacramentos católicos.
a grande viagem teve início em 1763 e em 1766, quase ao final dela, em munique, mozart teve febre reumática, o segundo ataque.
em 1967 ele e a irmã tiveram varíola e, em 1770, 1771, durante as viagens italianas, as extremidades de wolfgang ficaram em úlceras por conta do frio, seu sistema respiratório sofreu com broncopneumonia além de ter sofrido com icterícia e hepatite.

mozart morreu de septicemia, infecção generalizada, cientificamente descrita em um documento que eu tenho a honra de conhecer, embora não seja o mais feliz dos meus conhecimentos.

diz ele:

"Mozart morreu em consequência de infecção estreptocócica-púrpura de Schoenlein-Henoch - insuficiência renal - sangrias - hemorragia cerebral - broncopneumonia terminal, escreveu o Dr. Davies ..."
"Mozart contraiu outra infecção estreptocócica quando esteve na loja maçônica em 18 de novembro de 1791, durante uma epidemia. Esta infecção desencadeou outro surto de púrpura de Schoenlein-Henoch e insuficiência renal, manifestando-se com febre, poliartrite, mal-estar, edema das articulações e vômitos. ..."


aqui eu interrompo, para continuar mais adiante, com a descrição de suas reações pouco antes de sua morte.

"... Aproximadamente duas horas antes de morrer, apresentou convulsões e tornou-se comatoso. Uma hora mais tarde, tentou erguer-se; abriu bem os olhos e subitamente caiu para trás com a cabeça virada para a parede; tinha as bochechas infladas. Estes sintomas sugerem paralisia conjugada do olhar além da paralisia facial, compatível com hemorragia intracraniana maciça. Na noite anterior, havia apresentado febre e sudorese profusa. Broncopneumonia frequentemente é a causa imediata de morte de urêmicos e usualmente desenvolve-se quando o paciente já está moribundo." (robbins landon, mozart's last year, 1791)

assim morreu mozart, na madrugada de 5 de dezembro de 1791, precisamente às 0h55.

numa vala comum, no cemitério saint marx de viena, naquele dia frio e ensolarado, seu corpo foi levado a enterro por poucas pessoas, entre elas, salieri.

em londres, no ano de 1764, ele conheceu johann christian bach que estava ensaiando os primeiros acordes da tal música clássica, ou seja, aquela que se aprende nas classes e que é definida como padrão. suas viagens, 18 no total, que incluem muitas rotas pela europa, concederam-lhe a chance de atingir a síntese de tudo o que se produzia pela europa, o centro das artes.
mozart, então concluo eu, encerra a síntese final da música.

é isto.


Um comentário:

Avelino disse...

Olá amiga você recebeu uma indicação de selo

http://segundarendaextra.blogspot.com/2009/01/selos.html

 
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