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sábado, janeiro 03, 2009

o cinema do oriente

click ... click nos links da cor preta.

uma região do planeta onde mar, montanhas, a natureza plena, são símbolos vivos da existência daquele em quem eles mais acreditam, d'us. uma plaga onde o menor pedaço de terra, um grão de areia, uma gota d'água, um sopro do vento, ... significam, literalmente, o seu d'us. um canto do mundo onde qualquer criação é a mais convincente representação de d'us e, em nome dele, seu povo é levado ao fervor absoluto traduzido em forma de combate, de conflito armado, não importando quem sejam os combatidos. naquele lugar o povo pode não ter notado que o vizinho não é inimigo é, como tudo, obra de d'us. (rcbs)




le cerf-volant, dirigido por randa chahal sabbag - morta em agosto de 2008 - e musicado por ziad el rahbani - multimídia libanesa - em 2003, é uma produção franco-libanesa e conta a estória de lamia, uma garota de 15 anos que vive no caminho, na divisa do líbano com israel.
do lado de lá, vive seu primo, e os dois foram prometidos em casamento ... artimanhas familiares!!!

vencedor do prêmio do júri da mostra de veneza em 2003, o filme engraçado, belo, comovente, é a ode à paz entre israel e o líbano representada pela paixão serena e doce entre lamia e o soldado israelense que guarda a fronteira entre os dois países.

a expressão le cerf-volant, que em português pode ser traduzida como o cervo que voa, é o título de um dos mais suaves e emblemáticos filmes sobre os conflitos do oriente médio.
chahal sabbag alimentou sua obra com o terror das guerras e das tragédias vividas no líbano ... disse a diretora durante a mostra de veneza: "queria fazer comédias, mas nasci numa região trágica. assim, se a gente não diz as coisas dramáticas com um pouco de humor, não acontecerá nada".
de tripoli, onde nasceu em 1953, randa sabbag mudou-se, nos anos 70, para a frança onde estudou cinema. fazer le cerf-volant foi a forma que randa sabbag encontrou de aprender a não sentir ódio. sua vida foi cercada por muito medo, perigo e estado de alerta.

o compositor da música do filme, ziad el rahbani, é uma figura controversa em todos os setores da sua vida profissional: literatura, cinema, teatro, música.

o filme
um grupo de crianças brinca de pipa, junto à cerca de arame farpado na divisa líbano/israel. o vento carrega o brinquedo para o lado de israel, e lamia se atreve a invadir quando é surpreendida por um disparo. lamia não consegue reaver a pipa.
a locação do filme é em bekaa ociental, entre israel e síria, e a equipe de filmagem postou-se perto do
monte hermon. aquela região era proibida há anos e foi devolvida ao líbano faz pouco tempo. a intenção era mostrar o vale dos lamentos, idêntico ao que é nas colinas de golan. por vezes os trabalhos de filmagem foram interrompidos por conta do alvoroço que causavam os f16 de israel que sobrevoavam o lugar.

mais do cinema oriental
a riqueza do cinema do oriente, todo ele, me fez uma cinéfila insuportável. meu fado deve ser este, reciclar todo dia, todo mês, todo ano até que me baste e me torne mais confiável e muda, se não seria arriscar-me a perder toda essa informação preciosa.
sinto-me sublimada, sou duas em um ou seria uma em dois??? o cinema e a música me deixam de quatro - não sintam inveja ... rherhe - e presto reverência aos dois. diariamente rezo por eles antes de dormir, pois, caso eles sucumbam, não terei como subsistir.
do meu porrinha, assim, tanto quanto eu, pesquei duas frases irmãs cheias de sabedoria e delicadeza.

diz ele em sua página, aqui, do dia 31/12/2008 ...

o cinema tá 50 anos na frente da música, não em estética, mas em crítica (e auto-crítica).
a música tá 50 anos na frente do cinema, não em crítica, mas em indústria. (cs)


quanto a mim, há que dizer, quero estar por muitos 50 anos junto da música e do cinema.

o cinema oriental, dizia eu, todo ele é belíssimo e qualquer dia desses digo sobre tal abundância. por hora, elejo alguns que merecem destaque. sigam-me!!!

writing on the earth/yadasht bar zamin, irã
escrevendo na terra
diretor: ali mohammad ghasemi
elenco: hossein moslemi, asiyeh bakhshizad, shirin ghasemi
sinopse: mulher dá luz a uma criança que nasce morta. Seu marido não se conforma e pergunta a d'us a razão da tragédia. um dia, ele observa as pessoas da aldeia se embebedando e se convence de que d'us tirou seu filho para salvá-lo da vulgaridade do mundo. então, tomou para si o desafio de uma missão: matar todas as crianças da aldeia para salvá-las da vaidade do mundo.

on that day, irã
veja, aqui
naquele dia
diretor: babak amini
sinopse: iraquiana, refugiada no curdistão iraniano, tenta regressar para depor contra saddam hussein. no entanto, descobre que não tem direito sequer a um acerto de contas pessoal.

half moon, irã
veja, aqui

diretor: bahman ghobadi
sinopse: filme embebido em música, do meu jeito. obra de rara beleza sobre o curdistão, mas acima de tudo uma sinfonia ao poder da humanidade, o elogio à amizade e ao amor que eclode no meio da maior aridez e gera prodígios de vida. mais um filme do diretor que não se repete e parece incapaz de fazer um filme desinteressante.

um pouco de pieguice e choradeira não faz mal aos que não prescindem dela pra narrar sobre sabedoria e
abbas kiarostami é o meu referencial de sabedoria cinematográfica. ele é bem capaz de me fazer chorar um filme inteiro. a prova está em

khane-ye doust kodjast?, irã

onde fica a casa do meu amigo?

diretor: abbas kiarostami.
elenco: (pessoas da aldeia onde foi rodado o filme) babek ahmed poor, ahmed ahmed poor, kheda barech defai, iran outari, ait ansari.
sinopse: ahmad, ao fazer seu dever de casa, percebe que pegou o caderno de seu amigo por engano. sabendo que o professor exige que as tarefas sejam feitas no caderno, ele sai pra procurar a casa do colega. a vila, no alto de uma montanha é vasculhada pelo menino que pergunta , de porta em porta, sobre o amigo. assim, o diretor nos trás a vida das pessoas que moram ali. o mesmo vilarejo serviu de locação pra outros dois filmes de abbas kiarostami.

na saideira ayeneh - o espelho - de jafar panahi, o responsável por uma descoberta fundamental na minha fútil e inesgotável vida cinéfila. o filme conta com atores que não são atores são, sim, pessoas comuns, como é habitual acontecer no cinema daquelas plagas. em o espelho, a garota foge das filmagens ao perceber que está sendo filmada. panahi transforma aquela cena em uma cena do filme.

é isto.

3 comentários:

Cézar Vouguinha disse...

Obrigado pela força hein!? eheheheheh.. Estarei sempre passando aqui.. Beijos!

Monika Baumann disse...

Olá!
Tem meme pra ti lá no Toques.

Bjuuu e bom domingo.

Monika Baumann disse...

Já consertei o feed...
Obrigada!

Bjuuu

 
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