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quinta-feira, janeiro 22, 2009

la prima dona ... rufus wainwright





ele compõe, toca piano, violão, canta, teatraliza a cantoria, transforma a canção num ato de prazer orgástico ... rufus wainwright, causa!!!
rufus wainwright nascido nos usa, criado no canadá, oriundo de família cantora, tios, primos, pais, todos entoando afinadíssimos.
rufus wainwiright é assim, dentre as regras que regem sua existência não há uma que inclua tranqüilidade pessoal, caso contrário ele seria insuportável.
filmes como solyaris, dirigido por andrei tarkovski, em 1972 ou viskningar och rop e det sjunde inseglet, de 1956 e 1972, respectivamente, ambos dirigidos por ingmar bergman, espetaculares, difíceis e que requerem muita paciência e dedicação ao espectador, podem causar a mesma sensação aos que estiverem dispostos a conhecer rufus wainwright. não que ele seja difícil ou hermático mas porque a melodia de suas canções, não é imediata, ela não entra e faz a gente sair cantando. aquela mescla de jazz, pré-rock'n roll, cabaré entoado com a bela e encantadora voz das divas da ópera, causam estranheza.
pô!!! o cara é gay, assume que é, faz graça com isso chegando a se expor caricaturalmente e ainda canta como se interpretasse a dama das camélias???
pois é aí que mora o encanto, o encantador, o encantamento e o encantado.
rufus é encantador.

... para os que acham que a patente da honestidade em gosto musical está em curtir a utopia ideal, saída da forminha certa, eu digo: a facilidade não me atrai. artistas complicados ou filmes difíceis e, nos créditos finais, a conclusão é que vale a pena fazer isso mais vezes.
rufus wainwright compõe e dispara liras, poesias, agudos, solfejos e uma sonoridade que asfixia de prazer e encanta na mesma medida. ele trata a música como o que é ela realmente: um mistério em estado bruto e nobre.

sobre astro pode tudo ou meus
astros podem tudo!!!
providencial a lembrança de um deles, billy joel que, em 2001, no masterclass
in his won words, intimamente realizado na university of pennsylvania's irvine auditorium in philadelphia, em algum momento in his own words aos alunos da platéia, percebeu um zumbido que vinha de um ventilador depositado no chão à sua frente, não exitou ... afastou o pedestal do microfone, chegou bem perto do infortunado aparelho e, delicadamente, com o pé, arremeteu-o em direção à linha de frente e para baixo do palco. o gesto foi seguido da frase: uma atitude de astro do rock.
billy joel declarou que, a partir de agora, só vai compor música clássica ... ponto final!!!
rufus declarou que vai compor uma ópera e ... ponto final!!! os meus astros podem tudo e são incomparáveis.

rufus wainwright, graças à constante turbulência que move sua vida particular, no palco, a qualidade ultrapassa as expectativas. trato refinado, inconfundível senso de humor, lindo, engraçado, criativo, gentil, encantador ... um talento de diva, exuberante e insuperável.
rufus mcgarrigle wainwright, filho de
loudon wainwright III e kate mcgarrigle, ganha o pão de cada dia compondo, cantando e, invariavelmente, transformando-se em alguma personagem, qualquer uma ... dançante, cantante, declamante ou, simplesmente, falante ... um adorável e irresistível performista.

...
concentro, por algumas linhas, o pensamento no cd duplo,
rufus does judy at carnegie hall, uma homenagem a judy garland, num show recriado à imagem e semelhança do lendário original de 1961, judy garland at carnegie hall, no mesmo palco da casa famosa localizada na 57th street and seventh avenue in new york, ou no dvd que trás a versão londrina do espetáculo. e ao fazê-lo, o silêncio e a atenção são indispensáveis para perceber e ficar encantada com a delicadeza do mínimo gesto, com a graça de uma única palavra, com a impressão de ineditísmo em qualquer canção. só assim foi possível judy garland invadir a minha vida.

em uma entrevista, ele diz sobre
do i disappoint you ... desiludo-te? ... "essa música não tem nada a ver comigo, o artista, tem a ver comigo, a pessoa. é sobre uma personagem que tenta ser sempre perfeito, que faz por ter sempre uma entrada de rompante e levar uma vida excitante e, às vezes, não o deixam ser aborrecido! quando se é famoso, parece que é uma obrigação: você tem de ser muito entusiasmante, a toda a hora, o que se torna muito cansativo. por outro lado, é uma pergunta de retórica: do i disappoint you? e a resposta é, claro que não!, porque a canção é tão grandiosa, com os arranjos e a orquestra ... no fundo, é uma brincadeira."

da mesma entrevista ... "que sou arrogante. não sou nada arrogante – sou apenas muito honesto (risos). odeio as pessoas que dizem ai, não sou grande coisa, a minha música é terrível, quando na realidade querem dominar o universo – são lobos com pele de cordeiro. eu só tento ser honesto e dizer ao mundo o que penso."


de leonard cohen, sobre quem estarei dissertando brevemente, rufus wainwright gravou duas canções, hallelujah que faz parte da sountrack do primeiro filme, shrek e everybody knows que ele canta feito a diva do cabaré do bas fond.






depois disso, não há mais nada que eu possa fazer, ele sim ... cante e dance cada vez mais.


na passagem pelo brasil, em 2008, parte da família, a
mãe, ao piano, martha, a irmã, cantando na abertura do show e brad albetta, o cunhado, tocando no baixo acústico, nos deu a experimentar uma amostra da qualidade musical do meio que produziu rufus wainwright, fruto da fusão entre the mcgarrigles & the wainwrights. de quebra, mais the mcgarrigles.

3 comentários:

fadel32 disse...

bacana teu blog,visita o meu fadel32.wordpress.com

Lobodomar disse...

Rê, esse eu não conhecia. Mas pelo que pude ver aqui, o Rufus é bom mesmo. Muito teatral e meio espalhafatoso, mas, de fato, excelente cantor.

Cabe ressaltar que seu texto ficou excelente. Muito bem escrito. Desperta mesmo a curiosidade e a vontade conhecer melhor o trabalho do Rufus.

E já estou aguardando a postagem sobre Leonard Cohen, de quem sou mesmo grande fã.

Valeu, Rê. Tenha uma semana de paz e luz.

Beijo na alma!

Edson d'Aquino disse...

É, Rê, RW é pra poucos, mesmo. A resposta quando postei a discog da biba (sem ofensa pois ele mesmo se sacaneia) lá no G&B foi muito pequena. Curto muito sua música e seu lado amargo em constante dicotomia com seu lado extravagante.
}{ões procê

 
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