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sexta-feira, abril 24, 2009

1974 ... brasil em portugal



1974, brasil e portugal fervilharam.

por aqui os parâmetros artísticos e musicais - estes mais que aqueles - nos guiavam.
um dos mais precisos foi a peça de chico buarque, calabar, que em meio àquela barafunda artística desagradável, veio acender flashs de humor. proibidos foram, calabar: o elogio da traição - escrita no final de 1973, por chico buarque e ruy guerra - o espetáculo, e a própria proibição. pode???

calabar era uma produção teatral que empregava um punhado de gente e que custara uma nota preta ... 210 mil cruzeiros.
estava tudo pronto como determinavam os censores: um ensaio no qual eles não compareceram e o texto foi avocado para reexame, isto é, restava a aprovação final, rotina adotada pelo regime militar.
a espera foi de 90 dias e, aos 20 dias de janeiro de 1974, sem mais aquelas, a polícia federal, representada pelo general antonio bandeira, proibiu tudo, ou seja, proibiu a peça, proibiu o nome calabar, e proibiu que a proibição fosse divulgada. ninguém merecia!!!
seria porque o elogio recaia sobre domingos fernandes calabar, que ousara ficar do lado dos holandeses, contra portugal??? que péssimo exemplo!!!

prejuizos à parte, em 1980 calabar estreou, sem censura.

permanecer antenada a chico buarque, milton nascimento, gilberto gil, caetano veloso, ... era um objetivo sem desvio. não prestava ouvir outros "noticiários".
em 1974 o chico perambulava por aqui de braços dados com um tal julinho da adelaide, que disfarçava e tirava das costas de seu patrono o alvo da censura, compondo.
justifica-se: depois de calabar, qualquer pingo num i que aludisse ao filho de sergio buarque de holanda seria difícil ser aprovado pelos milicos do poder.
foi então que nasceu júlio césar botelho de oliveira, o julinho da adelaide, compositor nem tão criativo quanto falante, autor de acorda amor, jorge maravilha e milagre brasileiro.

filho de uma favelada com o alemão, sr kuntz, um de seus maridos, julinho não se dava a conhecer mas o chico se encarregou de fazê-lo e, em setembro de 1974, encarnou a personagem que se deixou desvendar por mario prata e melchíades cunha jr., na entrevista mais hilariante que o escritor e o jornalista protagonizariam. julinho contou sua estória que foi publicada naquela edição paulista do jornal última hora. dentre outras revelações, a de que a filiação alemã, lhe dera um irmão loiro, o leonel.
chico buarque, não foi por acaso, escolheu a alemanha como origem de toda aquela encrenca. na década de 1920, seu pai havia morado naquele país e tivera um filho com uma alemã. tal revelação foi feita a chico por manuel bandeira quando, acompanhado de tom e vinicius, chico lhe fez uma visita.
num papo descontraído, no qual o escritor resmungava sobre a saudade que sentia de sergio buarque de holanda, numa frase assim, assim, bandeira referiu-se ao pai do chico: ... depois, ele foi pra alemanha, teve aquele filho ...
chico caiu das havayanas: o quêêêêê!?!?!?!

leia, aqui a transcrição da fita original daquela entrevista emblemática. um afago intelectual nas nossas almas perfuradas pelo chumbo daqueles anos.


em meio a tudo isso, veio a revolução portuguesa -
25 de abril de 1974 - e chico fala e canta, no vídeo a seguir, sobre o que resolvi trazer para fora das nossas lembranças, passados 35 anos.



é isso.


requeri

7 comentários:

Daniela Figueiredo disse...

Chico é maravilhoso, sempre! Sabe que quando era criança, brincava com a capa dos LPs do meu pai, e dizia que ele era o meu marido? Isso depois de trocá-lo pelo Roberto Carlos, que so gostava quando fazia escova no cabelo. Sei que estás muito ocupada, como eu, que agora voltei a estudar, mas não some por tanto tempo, dá a sensação de abandono de amizade. E somos uma panela. Beijos da amiga carente de contato, Dani.

rebloggando-requeri disse...

o chico é tudo na musica brasileira. houve um tempo em que a gente estava muito perto desse povo ... conheci o irmão dele, ele morava em sampa perto de mim ... hj é que as coisas andam mais dificeis e eles estão fora do cenário da música ... beijo.
não sumo ... to aqui .... trabalhando mas atenta ... beijo.

Juan Trasmonte disse...

Maravilha Regina, pela crônica e por como você fez esse link com a data e com a Revolta dos cravos.
O caso de Calabar é impressionante, mas foi exatamente do jeuto que você o narrou. Houve expressa diretiva para a proibição não ser divulgada.
beijos

requeri disse...

gringo vc é o meu melhor tiete ... bj

Susana disse...

Olá menina! Vim espreitar o teu blog, através do DHITT e tive uma agradável surpresa: uma brasileira a falar sobre o 25 de Abril e a participação de Chico Buarrque nestas andanças! Estás de Parabéns! O post está fantástico.
Gostei tanto que vou passar a seguir-te.
Agora uma pequena pergunta: Tens veia portuguesa a correr por aí?
Bjs Susana

MAURICIO FERRAZ disse...

Re minha princesa, tem um presentinho pra você la no meu blog, da uma passadinha neste link e pegue-o: http://greenoport.blogspot.com/2009/04/recebimento-de-selo.html

um beijo
Mauricio ferraz

0001coisas disse...

Parabéns, seu blog está em primeiro lugar nos Blogs populares em Música do dia 7/5 no diHITT.
Por falar nisso, foi você quem me falou do diHITT. Valeu!!!

 
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