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sexta-feira, junho 26, 2009

agora ele é uma estrela


era normal sentir medo assistindo a filmes de terror.
não lá em casa!!!
desde sempre, estórias de terror representavam a melhor alegoria pros momentos - era uma vez um monstro melequento - de terror, e os filmes representavam adiar a hora de dormir. o pai viajando, regras eram quebradas. meus irmãos e eu tinhamos o aval da lelo para ultrapassar o horário e assistir tv, mas existia uma condição: sem virar a cara, olhos bem abertos. olhar pro lado ou fechar os olhos, durante a exibição??? nem pensar!!! significava perder o privilégio, ir pra cama. então, estórias assombradas, arrepiantes eram vistas e ouvidas como a melhor das diversões.
assim foi a escola.

em verdade lhe digo, no início dos tempos, não havia mtv e os videoclipes eram conhecidos através do fantástico.
naquele domingo de 1983 não foi diferente. thriller foi exibido pela primeira vez e a platéia, pai, mãe e um bebê de 2 ou 3, anos cumpriam a última atividade dominical: assistir ao fantástico show da vida.
ao primeiro olhar, à primeira cena, a reação foi desligar a tv, mas o bebê permanecia lá, imóvel, olhar fixo, sentadinho no chão, distante um passo, quase colado à tela do aparelho ... pura catatonia. era a negação do medo geração a dentro.
foi, para o porrinha, a experiência inesquecível e o videoclipe mais caro do mundo marcou pra sempre a vida do nosso garotinho. o terror e o dono da façanha foram degustados, ativaram e configuraram alguns neurônios musicas naquela cabeça que hoje é voltada, profissional, pessoal e compulsivamente, pra música.




texto narrado por vincent price
Darkness falls across the land
The midnite hour is close at hand
Creatures crawl in search of blood
To terrorize yawls neighbourhood
And whosoever shall be found
Without the soul for getting down
Must stand and face the hounds of hell
And rot inside a corpses shell
The foulest stench is in the air
The funk of forty thousand years
And grizzy ghouls from every tomb
Are closing in to seal your doom
And though you fight to stay alive
Your body starts to shiver
For no mere mortal can resist
The evil of the thriller


esses que conhecem michael jackson, como a figura solitária, a patente da utopia, da mutação, a encarnação do zumbi dançarino do vídeo premonitor, podem não saber do jackson five, do garoto prodígio da motown, lá atrás, o estilo da modernidade e da negritude. os irmãos unidos pela magia da música, pela magia das vozes saídas da mesma procedência mozartiana.
pra meu espanto, à medida que o tempo passava, ele foi desconstruído. sua morte foi duradoura, milimétrica.
morreu um bom tanto da música da minha vida.








A morte mais lenta da história do showbizz - Jackson pagou alto preço pelo dom do fogo criativo

João Marcelo Bôscoli, especial para a Folha de São Paulo

O artista é um ser com aptidões contraditórias. Por um lado, é um "homem comum" com apetites, desejos, frustrações, contas para pagar. Por outro, é um homem em um sentido maior: um "homem-coletivo". Aquele que capta e dá forma ao inconsciente da raça humana e o devolve sob a forma de uma obra de arte. E a realização dessa tarefa mobiliza uma grande quantidade de energia.
É como se fossem dotados de um certo capital de energia ao nascer, e o lado que precisa realizar essa tarefa sobre-humana tentasse tomá-la integralmente para si.
Nada pode impedir a execução de sua missão -muito menos o lado humano. Este é visto quase como um erro, uma limitação do artista.
Talvez, por isso, os artistas permaneçam infantis e vaidosos depois de adultos, desenvolvendo uma série de más características e idiossincrasias no campo pessoal, para evitar que o "homem comum" desperdice energia e tempo, atrapalhando sua jornada. De certa forma, ele se torna sua obra.
"Fausto" define Goethe, "Billie Jean" define MJ -e não o contrário. O artista permite que a obra se manifeste através de si -e não o contrário.
Como regra, a vida do artista é altamente insatisfatória -para não dizer trágica-, afinal, duas forças opostas duelam o tempo todo dentro dele, tentando tomar o poder. Há de se pagar um alto preço pelo dom do fogo criativo.
A dualidade dos sexos é fundamental para a concepção de um novo ser, assim como a razão e a loucura são necessárias para a criação artística.
Pode ser ou parecer uma limitação o tal lado humano, mas ao costurar sua fantasia em seu próprio corpo, Michael Jackson abriu mão de sua dualidade, da energia gerada entre os extremos e, consequentemente, de sua fonte criativa.
Foi a morte mais lenta da história do show-business. Baseado em um texto de Carl Jung
João Marcelo Bôscoli é produtor-executivo do selo Trama.


4 comentários:

Cris disse...

É fácil perder a identidade, quando não a temos, quando somos, desde a mais tenra infância preteridos por nossos familiares. A cada vitória, uma negação familiar.

Difícil é rompermos esse laço, é termos que nos manter adultos feridos, popularizado pelos desconhecidos.

Difícil é sentirmos a necessidade de sermos aceitos, quando o nosso 'eu' não percebeu ainda que já fazemos parte do mundo. Um mundo cada vez mais exigente, com padrões de beleza determinados pela mídia e com toda a loucura que cada um de nós tras dentro de si, insistindo em consertar um mundo que não aceita erros e que erra o tempo todo.

Ditado antigo 'quando a cabeça não pensa, o corpo é que paga' e paga muito caro.

Perdemos um pop star, um ícone da música, um dançarino inovador, um compositor de qualidade.

Mas em pouco tempo, só se lembrarão do 'louco' com manias esquisitas.

Ninguém procura saber os conflitos que nos invade a alma, mas todos perseguem impiedosamente a exteriorização dos mesmos.

Estou triste, dancei embalada por suas músicas uma boa parte da minha adolescência e é disso que eu quero lembrar.

Beijocas
Cris

requeri disse...

cris, ele estava muito doente. além do vitiligo uma doença de pele, parecida com o vitiligo, que despigmenta. ele não era preterido pela família, o pai o protegia demais - daí meu comentário sobre mozart.

Alceu A. Sperança disse...

Re...bloggando é sempre uma das joias da Net (viu como estou obedecendo a regra ortográfica?).

Essa resenha de MJ ultrapassa o trivial que a gente vê por aí: chega até o essencial.

Apesar de ter detestado aquela coisa de açambarcar as músicas dos Beatles, MJ fica eternamente considerado por Ben: não mais "eu" e "mim", mas "nosso" e "nós".

Um roteiro para a humanidade, se quiser sobreviver: superar o egoísmo individualista e construir um mundo novo.

E eu estarei lá!

Sissym disse...

Algo interessante, as crianças adoram ele. A minha filha o conhecia, achava o máximo, imitava ele! E eu não o introduzi no mundo musical dela. Simplesmente ouviu uma vez e gostou. Mas... descobri hoje que não apenas ela, sim um monte de outras crianças de todas idades, ficaram morrendo de medo do fantasma dele!!! (motivo: Thriller!)

Para mim: insuperável! Sinto demais que era infeliz, não merecia isso!

Adorei seu post! Eu tinah certeza que encontraria isso aqui!

Bjs

 
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