visite outros bloggs requeri: assadeira manga chupada

quarta-feira, junho 03, 2009

quem ri depois, burla o falstaff burlador


falstaff ... caras e bocas
Tutto nel mondo é burla

L'uom é nato burlone,

La fede in cor gli ciurla,
Gli ciurla la ragione.
Tutti gabbati! Irride
L'un l'altro ogni mortal.
Ma ride ben chi ride
La risata final.

shakespeare, é o nome do dramaturgo inglês, autor de henry IV partes 1 e 2 e the merry wives of windsor - para nosotros, as alegres comadres de windsor - a peça que inspirou o libretista arrigo boito a compôr o libreto da ópera falstaff, o último musicado por verdi.
sir john falstaff, personagem de
shakespeare que aparece em henry IV part 1 e 2 e em the merry wives of windsor, é gordo e amigo do rei. um verdadeiro braggadocio, termo que tem origem inglesa, to brag - vangloriar-se - no qual edmundo spenser instalou o sufixo enfatizador italiano e usou na sua obra, the faerie queene - traduzido ficou assim: o soldado que alardeia valentia, mas não passa de um covarde.
além de divertir o amigo nobre, falstaff ejacula, poros abaixo, o conceito de benevolência e hedonismo nada herético, se formos nos ater ao que aprendemos sobre dignidade humana ... absoluto contraponto a qualquer honesto personagem do escritor inglês.

malandro, canastrão, falastrão, beberrão, mau caráter, zombeteiro e inescrupuloso, fazia o que lhe dava na telha, sem pensar nas consequências. cantava mulheres casadas, não respeitava os empregados, roubava quem dava mole e, por conta de tanta cabotinagem, vivia sob a mira daqueles a quem prejudicava. tanta malícia resultou numa ópera que não foge à elegância de verdi, com temas rápidos, curtos, nos quais predomina a cantoria em massa, dantes ouvida em nabuco, la traviata, aida, ...
falstaff é uma estória de vingança sobre a zombaria, a mentira, a fraude, a enganação ... e o finale é a comemoração dos que espantam os males e se libertam com boas risadas e bastantes músicas.
pra nós, meros e privilegiados ouvintes, é reservada a audição de mais uma - otello foi a outra - das mais felizes obras daquela parceria atemporal: billy shakspere e giuseppe verdi.

não sei porque me ponho a escrever, uma linha que seja, sobre shakespeare. tamanha ousadia demanda em intermináveis lembranças e anotações. por exemplo: henry IV, part 1 & 2 são os dois volumes de um drama de billy shakespeare em forma de peça teatral, e a terceira e quarta parte de uma tetralogia. elas vêm depois de richard II e antes de henry V.

orson welles dirigiu e interpretou falstaff, em 1965, no filme campanadas a medianoche, uma produção frança/espanha/suiça.

giuseppe verdi, o meu maestro das
vozes, assim como amadeus mozart, soa especial aos meus ouvidos ignorantes, por absoluta intuição em relação à sonoridade - de ambos - amigável, alegre, carregada de cores imaginadas, estas servindo como elementos para substituir sinais acadêmicos. falstaff não foge à regra e arremata o gosto musical que eu preservo e cultivo como uma das minhas melhores qualidades.

quer saber mais??? a obra de verdi tem uma forma política bem delineada através do ênfase patriótico e liberal que possue. por tal razão, verdi tornou-se um símbolo do risorgimento, movimento italiano de tomada de consciência nacional contra a dominação estrangeira e a favor da unificação política daquele país, e teve como resultado, a fundação do estado italiano em 1861 e, consequentemente, o despertar da consciência nacional de seu povo.

falstaff, ao contrário de outras óperas de verdi, levou muito tempo para ser escrita. giuseppe verdi estava mais velho, mais cansado, com menos vigor além de triste pela perda de dois amigos, daí, demorou quase 4 anos para finalizar a música do libreto de arrigo boito.

dizem ouvidos estudiosos, que falstaff encerra a perfeição da obra de verdi, concentrando a ausência dos defeitos e a inclusão das qualidades que as óperas anteriores não registraram ... em verdade lhe digo, custo crer que alguma nota da obra de verdi seja imperfeita ou defeituosa.

na virtual books, é possível baixar
henry IV, part 1 e henry IV part 2 além do the merry wives of windsor. experimente!!!

nota da autora - o jorge fortunato, um
owner sem caviar, é o responsável pela idéia deste texto.
explico: em bruxelas o tal postou-se pr'uma foto tendo como fundo o restaurant falstaff.
verdi e mozart são meus amados. ambos paixão adolescente. o verdi, um alento encontrado no colégio interno pra fingir liberdade ... eram os filmes que as freiras do santa - santa marcelina - repetiam adoidado por não conterem cenas explícitas de beijo de língua: verdi e sissi. foi assim que conheci a traviata e nunca mais fui a mesma.

é isso.



3 comentários:

Jorge Fortunato disse...

Vou chover no molhado...Amei este post! Como vc sabe, sou fã de óperas e Verdi está na minha lista de preferidos. Na verdade, sou fã confesso de Puccini, cuja Bohème me traz ótimas recordações e já diversas vezes.
Com esse texto, vc mostra, mais uma vez, que é antenada e ama a música.
Voltando à Verdi, imagina se existe defeito na obra desse gênio...concordo contigo, meus ouvidos nunca notaram nada...
bjs

Cris disse...

Não tenho ouvidos tão ecléticos e a ópera me entra pelos sentidos chorosa, me causando enorme angústia. Não há explicação, apenas sinto-a assim.

Entretanto, algumas como a traviata, são um pouco mais alegres, não causando a mesma explosão de sentimentos que as demais.

Cris

requeri disse...

as letras - libretos - da ópera contam estórias que podem ser tristes ou alegres, assim como qualquer outra música. acredito que a sua angústia se deve à empostação das vozes às quais são atribuídos sentimentos pesados.
ouve mais, acompanha a letra, vc vai aprender a gostar.
beijo.

 
Template by Mara*
requeri/2010