visite outros bloggs requeri: assadeira manga chupada

quinta-feira, julho 02, 2009

graceland, neverland

blogg é uma coisa contadora de estórias carregada de vaidade, de exibição, de empolgação ... sendo assim ... é nóis!!!
este blogg é um veículo de propagar tudo o que envolve a música rockeira do mundo. ele sintetiza a minha época e revela o meu resumo - interativa vitrine musical e cinematográfica. aqui eu embarco total.

menphis/tennessee e los angeles/califórnia tornaram-se craques em ambientar e alojar arte popular. não nas mesmas proporções, entupiram-se da própria arte da música.
digo sobre presley e jackson, cujas almas fizeram um som intenso, ambientados em seus santuários, mirantes da estória do rock, como farol ... graceland e neverland.
em graceland, elvis está enterrado e, um rolé pela área externa da mansão, pode fazer trombar com o belo rei do rock, bastando pra isto, cerrar os olhos e pensar uma canção qualquer ...




há quem ouse afirmar que ele observa, silencioso, através da vidraça reluzente de uma janela, a periódica choradeira que ronda delicada, repetindo um conhecido cancioneiro antepassado, melancólico, frágil, marcante.
neste ponto me lembro do harvey keitel, inesquecível em finding graceland, filme de 1998, dirigido por david winkler, de tema musical super adequado assinado por marc cohn.



fiquei encantada pela personagem ou pela ousadia de harvey keitel, e me deixei levar a graceland, chorosa e emocionada.
acredito que aquele filme seja o mais frutífero momento de qualquer narrativa, romanceada ou não, alusiva ao elvis. a liberdade de exploração e de mescla entre a realidade e a imaginação, usada na linguagem da obra, levou-me às últimas. impressiona a possibilidade única que os ídolos
têm de aparecer para quem quiserem aparecer.
graceland foi construída sob rigorosa acústica, com sistema central de som e salões espaçosos, que previam audições - a filha da antiga proprietária tocava harpa.

graceland foi cuidada por seu morador e permanece como ele a deixou. o portão musical - onde algumas vezes fãs aglomerados conseguiram autógrafos do rei - e o muro à volta da propriedade, foram realizações de elvis, que comprou graceland em 1957, viveu nela por 20 anos e lá permanece, vigilante, sob o jardim da meditação, ao lado de seus pais.

neverland, grandiosa, não possue o mesmo tom de aconchego ... poderia, mas não possue, apesar de ter sido o lar de jackson por quase 20 anos.
neverland - abandonada, descuidada - não herdou a capacidade de (re)inventar a vida de jacko ou de continuar depois dele invadindo e, por vezes, guardando e espelhando a própria vida que continuará após a sua morte.
colocando fora a relatividade e a particularidade de cada um dos santuários, e de cada pessoa que o habitou, o astral de graceland tem esse poder; o grande pop, geralmente, tem esse poder. por ser fascinante ele se acopla ao meio, ao habitat de seu executor, lhe dá alma. mas, não é o caso de neverland, cercada por nevoeiros constrangedores e inconfidentes.
se consigo dividir os ingredientes da receita, que tornam graceland um doce digesto, perfeito e agradável, não sei como distribuí-lo e levar ao fogo a mesma receita que poderia ser executada em neverland, nem que eu acentuasse os traços pueris e bucólicos que jackson pretendia.
a grande música pop, levemente entortada para se juntar aos ecos produzidos pela negritude dançante, balançada e melódica, não obteve caráter tão real a ponto de evoluir pra se mesclar à vida torta de michael jackson. mas, aquele santuário localizado no vale de santa ynez, sofreu a perda do encanto de redoma de seu guardador, e de uma enorme parcela da arte musical do planeta. que pena!!!
um clima teatral burlesco invadiu a fazenda e conseguiu, por algum tempo, cumprir a função em meio a geringonças puerís.

o mais certeiro, no bucolismo daquele paraíso de fauna e flora, é que a musicalidade de seu proprietário permanecia de fora - ainda bem - e o santuário passou a produzir um espetáculo esquisito, independente da arte que, bem ou mal, cumpria, longe dali, seu papel inatingível.

será que a diferença estaria, simplesmente, nas ferragens de um certo portão musical???




4 comentários:

Berenice disse...

Rê, quanto tempo não venho por aqui! Aliás, tô devagar quase parando em relação à divulgar blog, participar das redes e tal... mal participo do diHIIT, falta tempo mesmo.

Mas olha, fiquei doidinha aqui, tantas coisas! O delicioso filme "finding graceland" com Keitel, adoro! Elvis, Jackson, o "delicado gigante" Israel (já postei sobre ele), a matéria incrível da gracinha do João Marcelo Bôscoli! Loucura esse teu blog! Queria ter muito tempo pra passar sempre aqui e conversar, conversar...

Beijinhos
Berê

Berenice disse...

Ah sim! Linkei teu blog lá no meu, fica mais fácil te achar, hehe!

Cris disse...

Rê,

Como sempre um excelente texto. A comparação é inevitável, mas houve nesse interim uma explosão de tecnologia que não havia no tempo de Elvis. Antes, era necessário 'quase' um contato físico o que tornava tudo mais intimista. Com o MJ, os videos-clips, a internet, a tecnologia.

Não imaginamos a vida sem tecnologia, mas temos que admitir que ela torna tudo mais frio, impessoal.

Não acho que a diferença esteja nas frias ferragens do portão, mas no frio avanço da tecnologia.

Beijocas
Cris

requeri disse...

... ferragens do portão, pura analogia ... beijo.

 
Template by Mara*
requeri/2010