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segunda-feira, outubro 28, 2013

lou reed, john cale, velvet underground

este texto, originalmente produzido em 10 setembro de 2008, sob o título, john cale, lou reed e as estórias do velvet underground, teve como motivação principal, john cale.

devido à morte de lou reed, ontem, 27 de outubro de 2013, o texto foi editado, mas mantive preservado seu teor, e foram eliminados links vazios - alguns vídeos e reprodutores de música, inconsistentes - pra que ficasse adequado, e está sendo reproduzido aqui/agora.

lou reed by paul meijering

'eu acho que tudo acontece por uma razão, tudo acontece quando é pra acontecer.' - lou reed -

'há um pouco de magia em tudo, e alguma perda para equilibrar as coisas.' - lou reed -

'a parte mais importante da minha religião é tocar guitarra.' - lou reed -

'meu d'us é o rock'n'roll.' - lou reed -

'a música é tudo. as pessoas devem morrer por ela. as pessoas estão morrendo por tudo o mais, então por que não a música???' - lou reed -

'é deprimente quando você ainda está por perto, e os seus álbuns estão fora de catálogo.' - lou reed -
a vitrola lá de casa é incansavelmente rockeira. não importa a procedência, ela toca rock. gostar ou não gostar do que se está ouvindo, é outro assunto. a primeira ordem é ouvir, pra depois julgar.

em verdade lhes digo, impossível dissociar música e história. ingênuo, para dizer o mínimo, quem o faz.

um gaulês interessante chamado john cale liderou, a 4 mãos - as outras duas eram de lou reed - o germinal, necessário, significativo, modelar ... velvet underground.

que fique claro: john cale, músico do velvet underground, não pode ser confundido com j.j. cale, dentre outras, autor de cocaine.

tudo começou nos anos 60, em new york, quando lou reed e sterling morrison estudavam na su/syracuse university/syracuse/new york/usa e john cale os conheceu - syracuse university lembra lou reed.
lou reed - o homem que salvou o rock & roll de sua primeira grande crise - escrevia letras e john cale sugeriu montarem o the primitives, musicar as letras e tocá-las.
enquanto divulgavam um demo com heroin e venus in furs, o promotor al aronowitz propôs que abrissem o show do myddle class, e lou reed foi buscar um baterista.
maureen tucker, irmã de um colega de faculdade, foi acolhida e passou a fazer parte do the velvet underground, acabado de vir à luz.

o nome da banda foi retirado de uma obra literária de ficção popular de valor cultural duvidoso.
o sucesso do velvet ficou estabelecido, depois, no decorrer dos anos que se seguiram à dissolução da banda.
no entanto sua influência é indiscutível quando buscamos a atuação do velvet underground nos alfarrábios do rock'n roll.

o que ocasionou o fim da banda liderada por dois gênios???
justamente as disputas pelo domínio territorial da criatividade.

experimento ousar na comparação entre gênios ... brian wilson e paul mccartney, dadas as devidas e justas proporções, o conflito não incluia disputa de território, só a genialidade de cada um entrava em campo.

senta que lá vem um outro lado da estória:
a inclusão de uma personagem sem laços formais com o rock'n roll permite que eu conte que, no dia 11 de abril de 1989, os atritos entre as feras do velvet underground foram deixados de lado, e as duas entidades criadoras marcaram um encontro, por iniciativa de lou reed, e produziram um álbum em homenagem a andy warhol, empresário e financiador, agregado ao velvet underground.

songs for drella - a fiction, o resultado, pode ser considerada uma ópera rock, um documentário rock, um depoimento rock, uma biomúsica ou uma biogrúsica - biografia contada através de música - um rock tributo, um rock relato da vida de warhol, embora lou reed jure eternamente, ao pé da santa cruz, que não passa de uma singela homenagem ficcional.
se formos levar em conta o título da obra e o tremeluzir constante que o relacionamento de ambos provocava, é possível arriscar dizer que songs for drella - a fiction é um pouco de cada coisa e ... por que não??? uma lavada de alma de lou reed. assista ao vídeo de songs for drella, através do link no final do texto.

sobre o resultado da obra cabe-me acrescentar que o talento do poeta da velvet underground é dado a criar verdadeiras obras jornalísticopoéticas ou, se preferirem, poeticamente jornalísticas comparáveis, apenas, ao mesmo talento legado a bob dylan.
ambos são capazes de criar um documentário, uma biografia uma narrativa jornalística em versos muito bem compassados, devidamente rimados e, contando com a participação de john cale, cantáveis e encantáveis.

volto ao subterrâneo aveludado da música.
fama e sucesso agiram com eficiência sobre a libído vaidadosa e emotiva de lou reed, que passou a provocar ciúmes em andy warhol afastando-se dele ... antes disso, porém, andy fizera lou reed engolir a presença da atriz/modelo/cantora alemã, christa paffgen, conhecida como nico, na gravação do primeiro álbum da banda, o controverso, criticado, banido e, mais tarde, considerado uma referência musical do rock, the velvet underground & nico, de 1966, o disco da banana.
as críticas o apontavam como uma revolução mas o público não entendeu, principalmente, o que fazia ali, na capa de uma obra rockeira, aquela banana projetada por andy warhol.
na verdade, o público pouco ou nada sabia sobre andy warhol.

em new york as cópias foram pras prateleiras e, ato contínuo, arrancadas, sem dó.
no entanto o sortilégio fora realizado. dizem, os magos e alquimistas locais que, alguns, ao ouvirem the velvet underground & nico correram em busca de seus pares e formaram bandas.

a desordem estabelecida serviu para dar sentido ao que estava propondo o velvet, ou seja, fácil assimilação e sucesso imediato, não eram objetivos fundamentais, no entanto, se tudo tivesse fim naquele instante, a estória da banda já estaria escrita com tinta indelével, per omnia seculum.

para se ter uma vaga idéia do alcance que teve a pantomima musical em torno da estréia discográfica do velvet, saiba-se que em 1989, a revolução checa, a mesma que derrubou o comunismo naquele país, foi batizada de velvet revolution.

andy warhol tinha ideias um tanto psicodélicas em relação à banda, e logo as colocou em prática montando um espetáculo músico-teatral que incluia luzes em profusão, dançarinos, projeção de filmes.
a alegoria, batizada como exploding plastic inevitable, pegou a estrada e foi realizar apresentações dos eua.

boatos sobre um provável envolvimento amoroso de nico com cale e reed, mais a fogueira das vaidades acesa entre os dois músicos foi, devagar, minando e carregando a banda pra dissolução.
expulsa por lou reed, nico deixou a banda, andou pelo mundo fazendo filmes, namorou iggy pop, e morreu de aneurisma cerebral, em 1988.

em 1967 o velvet gravou white light/white heat, fantástico!!! porém, de aceitação inferior ao primeiro.

ficou provado que o velvet era uma banda além daquele, além do seu, além do nosso tempo.

o relacionamente entre cale e reed atingiu seu limite, john cale deixa a banda e, sem ele, é gravado o terceiro álbum do velvet underground que, não contando com a influência de andy warhol, também afastado depois de desentender-se com lou reed, produz um trabalho mais leve e mais legível ao público comum.

descaracterizada dos objetivos iniciais, começa a fazer as vezes de banda de apoio a lou reed com registros como a deliciosa pale blue eyes - gravada por marisa monte, pelo r.e.m., e numa das melhores reuniões rockeiras, pelo próprio autor, com pete townshend.
em 1971, um novo álbum de estúdio, o loaded, com canções grandiosas como sweet jane e rock & roll faz prever que o velvet iria, em breve, chegar aos ouvidos da massa e tornar-se uma ... grande banda grande.
porém, antes que isso tornasse realidade, lou reed abandona o barco. se, com a saída de john cale a brincadeira perdera parte da graça, agora, sem lou reed, não havia como recuperar nem um simples sorriso.

estamos entendidos quanto a quase tudo que a razão subterrânea e aveludada do rock desconhece???

sterling morrison, o guitarrista, com o fim da banda foi o único que não se aventurou pela carreira solo. apesar de ofuscado pelos companheiros geniais, sterling era brilhante e foi de fundamental importância a sonoridade que ele e sua guitarra doaram às gravações da banda. depois que a banda recolheu e guardou os instrumentos, em 1971, ele lecionou inglês e foi capitão de navio. na década de 90 adoeceu e morreu, em poughkeespie/condado de dutchess/new york/usa em 30 de agosto de 1995.

john cale produziu seu primeiro álbum, o vintage violence, em 1970. o agrado não foi geral, pois, o stigma esquipático do velvet circulava ao seu redor, e todos aguardavam algo experimentalmente semelhante ao que a banda fazia. o disco veio apenas um pouco esquisitinho, quase quadradinho, com canções harmoniozamente interpretadas mas, pra não deixar de lado o invulgar, ele encerra com wall, uma canção inteiramente tocada ao violino ... incantável.
o álbum de john cale provocou a ira de lou reed que, inconformado e invejoso criou transformer com a intenção de superar o vintage violence.

o valor histórico do velvet underground passou a 'existir' depois de encerrada sua carreira e deve-se, principalmente, ao exuberante duelo de talento e criatividade entre os dois gênios da banda em suas carreiras solo.

sobre john cale, sua saída do velvet propiciou uma carreira solo que, na minha egoísta e emocionada opinião, esbanja fertilidade.
em 1971, john cale cria o church anthrax em companhia de terry riley e deixa todo mundo impaciente a ouvir suas extravagâncias muito bem delineadas. sua obra não seria menos brilhante se a genialidade não houvesse produzido, em 1972, 1973 e 1974, academy in peril, paris 1919 e fear - ouça, pablo picasso, respectivamente.
os 3 trabalhos superam, se é que é possível, a excelência da sua obra, até então.
meu preferido, paris 1919 é um belíssimo arranjo entre instrumentos do início do século passado e os mais modernos.
a canção child's christmas no país de gales conta uma estória curta com o poeta galês dylan tomas, e antarctica starts here is, baseia-se no filme sunset boulevard.

sobre paris 1919, o título, é salutar saber que paris, em 1919, nos 6 meses que precederam o pós primeira guerra mundial, foi o centro do mundo. líderes de vários países, valendo-se do tombo que levaram os impérios otomano e austro-húngaro, reuniram-se para bolar a criação do novo mapa histórico do planeta.

para os que só amavam john cale porque produzia esquisitices, 1982 foi o ano em que foram desfeitos os contatos. depois de uma dezena de extravagâncias musicais, os puristas de carteirinha consideram a maioria das canções de john cale, a partir daquele ano, chatas.
a verdade é que john cale demonstra, em qualquer momento de sua vida/carreira criativa, um amor incondicional pela música e isto me basta.

'eu não tinha nenhuma outra intenção senão a de tocar música que incomodasse as pessoas. nós queríamos era incomodar a todos.' - john cale -

ouça lou reed 1942/2013

lou reed essencial tracks/rolling stone

ouça lou reed, pela radio uol

ouça john cale, pela rádio uol

songs for drella lou reed & john cale

fonte das citações de lou reed: brainyquote.com

o rock'n roll é a minha alegria.


Um comentário:

Sissym Mascarenhas disse...

Rê,

o meu conhecimento do mundo musical é ínfimo perto do seu. Gosto muito como vc disserta, no final, acabo me sentindo "a entendida".
LR era um incrivel guitarrista.

Bjus

 
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